quarta-feira, 9 de março de 2022

1, 2, 3...uma história de cada vez

 Olá, amiguinhos!

A história de hoje é: "Uma família igual às outras"


Desafio: poderão fazer um desenho relativo a esta história e, com a ajuda dos pais, enviá-lo para biblioteca@fundacaoalord.pt


Quando visitarem a nossa Biblioteca, poderão ver os vossos trabalhos numa exposição dedicada a esta atividade.

Participem!

O papá, a mamã, dois filhos. Uma família igual às outras.
Quer dizer, quase: pois o papá é um crocodilo e a mamã é uma girafa grande amorosa. E os miúdos também são um bocadinho diferentes dos das outras famílias. 
Mas apesar de tudo continuam unidos - mesmo quando logo ao pequeno-almoço acontecem umas turbulências esquisitas e começa tudo a entrar em grande reboliço.

Autor: KULOT, Daniela - "Uma família igual às outras", Kalandraka, Matosinhos, 2011.

Este livro está disponível na Biblioteca para empréstimo.

terça-feira, 8 de março de 2022

8 MARÇO | DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 


Às seis da tarde

as mulheres choravam

no banheiro.

Não choravam por isso

ou por aquilo

choravam porque o pranto subia

garganta acima

mesmo se os filhos cresciam

com boa saúde

se havia comida no fogo

e se o marido lhes dava

do bom

e do melhor

choravam porque no céu

além do basculante

o dia se punha

porque uma ânsia

uma dor

uma gastura

era só o que sobrava

dos seus sonhos.

Agora

às seis da tarde

as mulheres regressam do trabalho

o dia se põe

os filhos crescem

o fogo espera

e elas não podem

não querem

chorar na condução

Marina Colasanti


A 8 de março celebra-se mais um Dia Internacional da Mulher, mas numa altura em que os Direitos da Mulher parecem ter mais relevância que nunca, muitos ainda se perguntam: porque é que ainda se celebra este dia? 

A resposta pode ser encontrada na página do Parlamento Europeu dedicada a este dia, com o tema:

Dia Internacional da Mulher 2022

Um futuro ambicioso para as mulheres europeias depois da COVID-19

quarta-feira, 2 de março de 2022

1, 2, 3...uma história de cada vez

 Olá, amiguinhos!

A nossa história de hoje é: "O lobo que não gostava de ler"

Desafio: poderão fazer um desenho relativo a esta história e, com a ajuda dos pais, enviá-lo para biblioteca@fundacaoalord.pt


Quando visitarem a nossa Biblioteca, poderão ver os vossos trabalhos numa exposição dedicada a esta atividade.

Participem!


Neste livro, o nosso Lobo não gosta de ler e prefere comer os livros! Sempre que tenta ler rapidamente adormece. Começa então uma aventura no País dos Livros para recuperar dez livros desaparecidos! Será que o Lobo vai conseguir encontrar todos os livros perdidos?

Autor: LALLEMAND, Orianne - "O lobo que não gostava de ler", Zero a Oito, Lisboa, 2021.

Este livro está disponível na Biblioteca para empréstimo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Escritor do mês | fevereiro

 ABDULRAZAK GURNAH

(1948/)

 

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2021


“Não ganhamos prémios por sermos africanos, mas pelo que escrevemos”

Abdulrazak Gurnah

 

Abdulrazak Gurnah nasceu em 1948 em Zanzibar. Na década de 1960, foi forçado a sair do seu país, então a braços com uma revolução, e chegou como refugiado ao Reino Unido. Foi professor de Inglês e Literaturas Pós-coloniais na Universidade de Kent. A sua obra versa sobre a experiência africana, o colonialismo e o refugiado, e nela se destacam os romances Paradise (1994), finalista do Booker Prize e do Whitbread Award, By the Sea (2001), nomeado para o Booker Prize e finalista do Los Angeles Times Book Award, e Desertion (2005), finalista do Commonwealth Writers. Vidas Seguintes (2020) foi finalista do Orwell Prize for Political Writing 2021 e nomeado para o Walter Scott Prize for Historical Fiction 2021.

Abdulrazak Gurnah é o 118.º laureado com o Nobel da Literatura – e o primeiro autor de origem tanzaniana a ser distinguido com o prémio.

A Academia Sueca elogiou a forma como a sua ficção tem demonstrado a “sua compreensão intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino dos refugiados no abismo entre culturas e continentes”. De todos os romances de Gurnah, são poucos os que não tem como protagonistas personagens africanas ou refugiados, reflexo da própria vida atribulada do autor.

Com a decisão de Estocolmo, Abdulrazak Gurnah passou de um escritor anónimo a uma vedeta literária.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

14 FEVEREIRO | DIA DE S. VALENTIM

 


CARTAS DE AMOR E BURACOS NEGROS

 

Se com dolo ou embaraço releres um dia

as cartas de amor que te escrevi,

por te parecerem menos veras

sem a primeira devoção

ou desbotadas na contraluz da habituação

ou te enjoem mesmo o sentimento

ou de esfriadas to decresçam já,

sabe que é inútil queimá-las.

 

A informação codificada nos seus átomos

permanece nas cinzas

e no fumo.

Não, não te será fácil, querida,

obliterar as frases ridículas

e os ornatos pingões.

Atirasses tu com elas ao buraco negro

que a Via Láctea tem por umbigo

e nem assim alcançarias destruí-las:

unhas quânticas podem fazê-las em picadinho

na passagem pelo ralo gravítico

mas alguma da informação escapar-se-á

em forma de radiação

ou será escoada noutro universo,

e à medida que o próprio buraco se for evaporando

todo o Cosmos poderá ler

as confissões metidas na gaveta singular.

 

Se com dolo ou embaraço releres um dia

as cartas de amor que te escrevi,

podes rasgá-las, querida, ou dá-las ao fogo

com o mais que de corpóreo te aborreça

e te pareça agora caducado, sem lume.

 

Pois se até o espaço-tempo em certos astros

se desfaz

não está nele a raiz do que nos une.


Rui Lage, Firmamento


Sugestões de leitura para este dia


De um lado, uma mulher culta, independente, divorciada e já com filhos adultos. Do outro, um homem casado, estrangeiro, mais jovem, por quem ela perde completamente a cabeça. E por quem espera, dia após dia. Se o tema parece trivial, não o é, de todo, o modo como os dois anos que dura esta «paixão simples» são contados: no seu estilo frontal, acutilante, despido de vergonhas e julgamentos, Annie Ernaux desfoca a linha ténue entre ficção e autobiografia e põe na voz da narradora as confidências da história de uma relação que toma conta de tudo, que extasia e rebaixa, fonte da maior felicidade e da mais dolorosa solidão.




Naquele dia, eles conheceram-se. Como serão as vidas de Dexter e Emma naquele mesmo dia, ao longo de duas décadas?

Esta é a história de um encontro único, que junta as vidas de duas pessoas para sempre, mesmo se essas vidas implicam dois caminhos tão diferentes.










Folhas Caídas, vindas a lume em abril de 1853, e Flores sem Fruto, publicadas dezasseis anos antes, espelham a conturbada interioridade do poeta, um ser dominado por sentimentos contraditórios, dividido entre a imagem ideal do amor e a turbulência da paixão sensual.




O Leituras sugere...

...para fevereiro


O Lobo Que Não Gostava de Ler

Orianne Lallemand


Neste livro, o nosso Lobo não gosta de ler e prefere comer os livros! Sempre que tenta ler rapidamente adormece. Começa então uma aventura no País dos Livros para recuperar dez livros desaparecidos! Será que o Lobo vai conseguir encontrar todos os livros perdidos?

Uma fantástica aventura deste lobo, que mostra aos mais pequenos a importância da leitura e todos os cenários fantásticos por onde podemos viajar ao ler um livro.

Um poema...

 O VALOR DO VENTO

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento 

O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e

só entram nos meus versos as coisas de que gosto

O vento das árvores o vento dos cabelos

o vento do inverno o vento do verão

O vento é o melhor veículo que conheço

Só ele traz o perfume das flores só ele traz

a música que jaz à beira-mar em agosto

Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento

O vento actualmente vale oitenta escudos

Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto

 

Ruy Belo, País Possível

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Escritor do mês | janeiro

 Paulina Chiziane

(1955/)


Paulina Chiziane nasceu em Manjacaze, Moçambique, em 1955. Estudou Linguística em Maputo, mas não concluiu o curso. Atualmente vive e trabalha na Zambézia. Ficcionista, publicou vários contos na imprensa (Domingo, na «Página Literária», e na revista Tempo). Publicou o seu primeiro romance, Balada de Amor ao Vento, depois da independência (1990), que é também o primeiro romance de uma mulher moçambicana. Ventos do Apocalipse, concluído em 1991, saiu em Maputo em 1995 como edição da autora e foi publicado pela Caminho em 1999. O Sétimo Juramento e Niketche foram publicados em Portugal em 2000 e 2002, respetivamente. Afirma: «Dizem que sou romancista e que fui a primeira mulher moçambicana a escrever um romance, mas eu afirmo: sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da fogueira, minha primeira escola de arte.». Em 2014, foi agraciada pelo Estado português com o grau de Grande Oficial da Ordem Infante D. Henrique. Em 2003, recebeu o Prémio José Craveirinha de Literatura e, em 2021, foi-lhe atribuído o mais prestigiado galardão das letras lusófonas, o Prémio Camões.

 "O júri decidiu por unanimidade atribuir o Prémio à escritora moçambicana Paulina Chiziane, destacando a sua vasta produção e receção crítica, bem como o reconhecimento académico e institucional da sua obra", pode ler-se na nota informativa da reunião do júri da 33.ª edição do Prémio Camões que decorreu no dia 20 de outubro de 2021.

O júri referiu também a importância que dedica nos seus livros aos problemas da mulher moçambicana e africana. O júri sublinhou o seu trabalho recente de aproximação aos jovens, nomeadamente na construção de pontes entre a literatura e outras artes.

“Contadora de histórias, arte que aprendeu com a sua avó, publicou vários contos em jornais do seu país. São histórias que falam das vivências de tempos difíceis, da esperança, do amor, da mulher e de uma África passada e presente, que a autora soube transferir da oralidade para o papel.” 

Porto Editora – Paulina Chiziane na Infopédia [em linha]. 



O Leituras sugere...


 

...para janeiro


Segurança Máxima

Robert Muchamore



Esta é mais uma missão de James Adams e uma das mais perigosas em toda a história da CHERUB.

Curtis Oxford é o filho de uma traficante de armas que vende mísseis norte-americanos a grupos terroristas. A missão de James é tornar-se amigo de Curtis, para que a polícia consiga alcançar a mãe.

Debaixo do sol abrasador do Arizona, e no meio de 280 jovens criminosos, qualquer erro pode ser fatal...

 

Classificação: Literatura Juvenil

 

Pesquisa sobre esta coleção em: http://www.mundocherub.com/serie-i/.

Um poema...

SILÊNCIO

 

Há momentos em que tudo o que desejo

é o silêncio e seu bálsamo. Momentos

que a própria música conspurcaria.

 

Mas há silêncio e silêncio. O que apeteço

não é o silêncio que alguma autoridade

decreta, seja direção-geral, escola, igreja.

 

O silêncio que ambiciono há-de ser

sereno como nuvens e ervas bravas

e água em repouso e asas imóveis

de borboleta.

 

Há-de ser como o doce cansaço

que, depois que o vento tem passado,

fica a cintilar sobre as coisas

que o vento alvoroçou.

 

A. M. Pires Cabral, Caderneta de Lembranças