Olá, amiguinhos!
A história de hoje é: "Uma família igual às outras"
Olá, amiguinhos!
A história de hoje é: "Uma família igual às outras"
Às seis da tarde
as mulheres choravam
no banheiro.
Não choravam por isso
ou por aquilo
choravam porque o pranto subia
garganta acima
mesmo se os filhos cresciam
com boa saúde
se havia comida no fogo
e se o marido lhes dava
do bom
e do melhor
choravam porque no céu
além do basculante
o dia se punha
porque uma ânsia
uma dor
uma gastura
era só o que sobrava
dos seus sonhos.
Agora
às seis da tarde
as mulheres regressam do trabalho
o dia se põe
os filhos crescem
o fogo espera
e elas não podem
não querem
chorar na condução
Marina Colasanti
A 8 de março celebra-se mais um Dia Internacional da Mulher, mas numa altura em que os Direitos da Mulher parecem ter mais relevância que nunca, muitos ainda se perguntam: porque é que ainda se celebra este dia?
A resposta pode ser encontrada na página do Parlamento Europeu dedicada a este dia, com o tema:
Dia Internacional da Mulher 2022
Um futuro ambicioso para as mulheres europeias depois da COVID-19
Olá, amiguinhos!
A nossa história de hoje é: "O lobo que não gostava de ler"
ABDULRAZAK GURNAH
(1948/)
PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2021
“Não ganhamos
prémios por sermos africanos, mas pelo que escrevemos”
Abdulrazak Gurnah
Abdulrazak
Gurnah nasceu em 1948 em Zanzibar. Na década de 1960, foi forçado a sair do seu
país, então a braços com uma revolução, e chegou como refugiado ao Reino Unido.
Foi professor de Inglês e Literaturas Pós-coloniais na Universidade de Kent. A
sua obra versa sobre a experiência africana, o colonialismo e o refugiado, e
nela se destacam os romances Paradise (1994), finalista do Booker Prize e do
Whitbread Award, By the Sea (2001), nomeado para o Booker Prize e finalista do
Los Angeles Times Book Award, e Desertion (2005), finalista do Commonwealth
Writers. Vidas Seguintes (2020) foi finalista do Orwell Prize for Political
Writing 2021 e nomeado para o Walter Scott Prize for Historical Fiction 2021.
Abdulrazak
Gurnah é o 118.º laureado com o Nobel da Literatura – e o primeiro autor de
origem tanzaniana a ser distinguido com o prémio.
A
Academia Sueca elogiou a forma como a sua ficção tem demonstrado a “sua
compreensão intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino
dos refugiados no abismo entre culturas e continentes”. De todos os romances de
Gurnah, são poucos os que não tem como protagonistas personagens africanas ou
refugiados, reflexo da própria vida atribulada do autor.
Com a decisão de Estocolmo, Abdulrazak Gurnah passou de um escritor anónimo a uma vedeta literária.
CARTAS DE AMOR E
BURACOS NEGROS
Se com dolo ou
embaraço releres um dia
as cartas de amor
que te escrevi,
por te parecerem
menos veras
sem a primeira
devoção
ou desbotadas na
contraluz da habituação
ou te enjoem mesmo
o sentimento
ou de esfriadas to
decresçam já,
sabe que é inútil
queimá-las.
A informação
codificada nos seus átomos
permanece nas
cinzas
e no fumo.
Não, não te será
fácil, querida,
obliterar as frases
ridículas
Atirasses tu com
elas ao buraco negro
que a Via Láctea
tem por umbigo
e nem assim
alcançarias destruí-las:
unhas quânticas
podem fazê-las em picadinho
na passagem pelo
ralo gravítico
mas alguma da
informação escapar-se-á
em forma de
radiação
ou será escoada
noutro universo,
e à medida que o
próprio buraco se for evaporando
todo o Cosmos
poderá ler
as confissões
metidas na gaveta singular.
Se com dolo ou
embaraço releres um dia
as cartas de amor
que te escrevi,
podes rasgá-las,
querida, ou dá-las ao fogo
com o mais que de
corpóreo te aborreça
e te pareça agora
caducado, sem lume.
Pois se até o
espaço-tempo em certos astros
se desfaz
não está nele a
raiz do que nos une.
Rui Lage, Firmamento
Sugestões de
leitura para este dia
De
um lado, uma mulher culta, independente, divorciada e já com filhos adultos. Do
outro, um homem casado, estrangeiro, mais jovem, por quem ela perde
completamente a cabeça. E por quem espera, dia após dia. Se o tema parece
trivial, não o é, de todo, o modo como os dois anos que dura esta «paixão simples»
são contados: no seu estilo frontal, acutilante, despido de vergonhas e
julgamentos, Annie Ernaux desfoca a linha ténue entre ficção e autobiografia e
põe na voz da narradora as confidências da história de uma relação que toma
conta de tudo, que extasia e rebaixa, fonte da maior felicidade e da mais
dolorosa solidão.
Naquele
dia, eles conheceram-se. Como serão as vidas de Dexter e Emma naquele mesmo
dia, ao longo de duas décadas?
Esta
é a história de um encontro único, que junta as vidas de duas pessoas para
sempre, mesmo se essas vidas implicam dois caminhos tão diferentes.
Folhas
Caídas, vindas a lume em abril de 1853, e Flores sem Fruto, publicadas
dezasseis anos antes, espelham a conturbada interioridade do poeta, um ser
dominado por sentimentos contraditórios, dividido entre a imagem ideal do amor
e a turbulência da paixão sensual.
O
Lobo Que Não Gostava de Ler
Orianne
Lallemand
Neste
livro, o nosso Lobo não gosta de ler e prefere comer os livros! Sempre que
tenta ler rapidamente adormece. Começa então uma aventura no País dos Livros
para recuperar dez livros desaparecidos! Será que o Lobo vai conseguir
encontrar todos os livros perdidos?
Uma fantástica aventura deste lobo, que mostra aos mais pequenos a importância da leitura e todos os cenários fantásticos por onde podemos viajar ao ler um livro.
O VALOR DO VENTO
Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as
maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
Ruy Belo, País Possível
Paulina Chiziane
(1955/)
Paulina Chiziane nasceu em Manjacaze, Moçambique, em 1955. Estudou
Linguística em Maputo, mas não concluiu o curso. Atualmente vive e trabalha na
Zambézia. Ficcionista, publicou vários contos na imprensa (Domingo, na «Página
Literária», e na revista Tempo). Publicou o seu primeiro romance, Balada
de Amor ao Vento, depois da independência (1990), que é também o primeiro
romance de uma mulher moçambicana. Ventos do Apocalipse, concluído
em 1991, saiu em Maputo em 1995 como edição da autora e foi publicado pela
Caminho em 1999. O Sétimo Juramento e Niketche foram
publicados em Portugal em 2000 e 2002, respetivamente. Afirma: «Dizem que sou
romancista e que fui a primeira mulher moçambicana a escrever um romance, mas
eu afirmo: sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com
muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da
fogueira, minha primeira escola de arte.». Em 2014, foi agraciada pelo Estado português com o
grau de Grande Oficial da Ordem Infante D. Henrique. Em 2003, recebeu o Prémio
José Craveirinha de Literatura e, em 2021, foi-lhe atribuído o mais prestigiado
galardão das letras lusófonas, o Prémio Camões.
"O
júri decidiu por unanimidade atribuir o Prémio à escritora moçambicana Paulina
Chiziane, destacando a sua vasta produção e receção crítica, bem como o
reconhecimento académico e institucional da sua obra", pode ler-se na nota
informativa da reunião do júri da 33.ª edição do Prémio Camões que decorreu no
dia 20 de outubro de 2021.
O júri referiu também a importância que dedica
nos seus livros aos problemas da mulher moçambicana e africana. O júri
sublinhou o seu trabalho recente de aproximação aos jovens, nomeadamente na
construção de pontes entre a literatura e outras artes.
“Contadora de histórias, arte que aprendeu com a sua avó, publicou vários contos em jornais do seu país. São histórias que falam das vivências de tempos difíceis, da esperança, do amor, da mulher e de uma África passada e presente, que a autora soube transferir da oralidade para o papel.”
Porto Editora – Paulina Chiziane na Infopédia [em linha].
...para janeiro
Segurança Máxima
Robert
Muchamore
Esta
é mais uma missão de James Adams e uma das mais perigosas em toda a história da
CHERUB.
Curtis
Oxford é o filho de uma traficante de armas que vende mísseis norte-americanos
a grupos terroristas. A missão de James é tornar-se amigo de Curtis, para que a
polícia consiga alcançar a mãe.
Debaixo
do sol abrasador do Arizona, e no meio de 280 jovens criminosos, qualquer erro
pode ser fatal...
Classificação:
Literatura Juvenil
Pesquisa sobre esta coleção em: http://www.mundocherub.com/serie-i/.
SILÊNCIO
Há momentos em que tudo o que desejo
é o silêncio e seu bálsamo. Momentos
que a própria música conspurcaria.
Mas há silêncio e silêncio. O que apeteço
não é o silêncio que alguma autoridade
decreta, seja direção-geral, escola, igreja.
O silêncio que ambiciono há-de ser
sereno como nuvens e ervas bravas
e água em repouso e asas imóveis
de borboleta.
Há-de ser como o doce cansaço
que, depois que o vento tem passado,
fica a cintilar sobre as coisas
que o vento alvoroçou.
A. M. Pires Cabral, Caderneta de Lembranças