sexta-feira, 24 de abril de 2026

Escritor do Mês | Abril

 


José Luís Peixoto


Filho de José João Serrano Peixoto, José Luís Peixoto nasceu na vila de Galveias, no Alto Alentejo, onde viveu até aos 18 anos, idade em que foi estudar para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Após terminar a sua licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de estudos ingleses e alemães, foi professor em várias escolas portuguesas e na Cidade da Praia, em Cabo Verde. Em 2001, dedicou-se profissionalmente à escrita.

Aos 27 anos, José Luís Peixoto foi o mais jovem vencedor de sempre do Prémio Literário José Saramago. Desde esse reconhecimento, a sua obra tem recebido amplo destaque nacional e internacional. Os seus livros estão traduzidos e publicados em mais de 30 idiomas. Foi o primeiro autor de língua portuguesa a ser traduzido e publicado na Arménia (Morreste-me, 2019), na Geórgia (Galveias, 2017) e na Mongólia (A Mãe que Chovia, 2016).

Morreste-me foi escolhido como um dos 10 livros da primeira década do século XXI pela revista Visão. Nas mesmas condições, Nenhum Olhar foi escolhido como um dos livros da década pelo jornal Expresso.

Nenhum Olhar foi incluído na lista do Financial Times dos melhores romances publicados em Inglaterra em 2007, tendo também sido incluído no programa Discover Great New Writers das livrarias americanas Barnes & Noble.

A sua obra tem sido abundantemente adaptada para espetáculos e obras artísticas de diversos géneros.

Tem sido colunista de vários órgãos da imprensa portuguesa, como é o caso do Jornal de Letras ou das revistas Visão, GQ, Time Out, Notícias Magazine, UP, entre outras.

A obra de José Luís Peixoto apresenta assinalável coesão formal e temática. Nenhum Olhar, Cal ou Galveias revelam uma nova abordagem aos temas alentejanos na literatura portuguesa. A ruralidade é retratada através de grande sofisticação formal, com uma inédita matriz pós-moderna. Podendo estabelecer relações com a história de Portugal — como em Cemitério de Pianos, Livro ou Em Teu Ventre —, é também comum que as obras de José Luís Peixoto tratem as relações pessoais e/ou familiares, com uma forte carga autobiográfica — como em Morreste-me, Abraço, todos os seus títulos poéticos ou, mesmo, Dentro do Segredo.

A alegoria ocupa também um lugar importante na sua escrita, através dos títulos Uma Casa na Escuridão e Antídoto. Estas abordagens, no entanto, estão distribuídas um pouco por toda a sua obra, não sendo difícil assinalar livros que contenham vários destes temas principais em simultâneo, a saber: ruralidade, relações com a história, análise das relações pessoais e/ou familiares, modelos alegóricos.



segunda-feira, 9 de março de 2026

O Escritor do Mês | Março

 

 

António Lobo Antunes (1942-2026)

Biografia

António Lobo Antunes nasceu na freguesia de Benfica, em Lisboa, a 1 de setembro de 1942, no seio de uma família da alta burguesia portuguesa. Era filho de João Alfredo Lobo Antunes, um destacado neurologista português, assistente de Egas Moniz e professor de Medicina. Na sua família encontravam-se várias figuras de relevo, como o seu irmão João Lobo Antunes, neurocirurgião e antigo membro do Conselho de Estado, Nuno Lobo Antunes, neuropediatra, Miguel Lobo Antunes, programador cultural, Manuel Lobo Antunes, jurista e diplomata, e Pedro Lobo Antunes, arquiteto e vereador da Câmara Municipal de Torres Novas.

Durante a infância, passava frequentemente as férias de verão em Nelas, na casa dos avós maternos, lugar que marcaria a sua memória e que permaneceria ligado à sua história familiar. Estudou no Liceu Camões, em Lisboa, e mais tarde licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Após terminar o curso, foi mobilizado como médico militar durante a Guerra Colonial Portuguesa, entre 1971 e 1973, servindo no leste de Angola, em locais como Lumbala Guimbo e Chiume, e posteriormente em Malanje. Durante esse período trocou várias cartas com a sua primeira mulher, Maria José Lobo Antunes, que na altura estava grávida da primeira filha do casal. Essas cartas foram mais tarde reunidas pelas filhas Maria José e Joana Lobo Antunes no livro D’este viver aqui neste papel descripto, obra que inspirou o filme Cartas da Guerra, realizado por Ivo Ferreira. A experiência da guerra marcou profundamente o escritor e tornou-se um dos temas centrais de vários dos seus romances.

O seu primeiro livro, Memória de Elefante, foi publicado em 1979 pela editora Vega e tornou-se rapidamente um grande sucesso literário. A partir daí, construiu uma das obras mais importantes da literatura portuguesa contemporânea, publicando ao longo da sua carreira 29 romances e cinco volumes de crónicas originalmente divulgadas na revista Visão.

Ao longo da sua vida recebeu vários reconhecimentos pelo seu contributo literário. Em 2007 foi distinguido com o Prémio Camões, o mais prestigiado prémio da literatura em língua portuguesa. Em Nelas existe uma biblioteca com o seu nome, ligada à terra onde a sua família possui uma casa construída na década de 1940. Em 2016 tornou-se sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa. Dois anos depois, em 2018, a Bibliothèque de la Pléiade anunciou a publicação da sua obra, tornando-o apenas o segundo escritor português, depois de Fernando Pessoa, e um dos raros autores ainda vivos a integrar esta prestigiada coleção.

Durante décadas, António Lobo Antunes foi frequentemente apontado como candidato ao Prémio Nobel de Literatura, devido ao reconhecimento internacional da sua obra.

António Lobo Antunes faleceu a 5 de março de 2026, aos 83 anos de idade, vítima de cancro. Em sua homenagem, foi decretado em Portugal um dia de luto nacional a 7 de março de 2026, reconhecendo a importância do seu contributo para a literatura portuguesa e mundial.

Obras publicadas

Memória de Elefante, (1979); Fado Alexandrino, (1983); (...); Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, (2000); (...); Não É Meia Noite Quem Quer, (2012); (...)


   





segunda-feira, 2 de março de 2026

O Leituras Sugere

 para o mês de março



   O Estranhão 

O Rapaz das Cuecas Voadoras

      Álvaro de Magalhães














Este livro está disponível na nossa Biblioteca para empréstimo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Escritor do mês | Fevereiro



      Padre António Vieira (1608 - 1697)

Padre António Vieira foi um dos maiores oradores e escritores da língua portuguesa e uma das figuras mais marcantes do século XVII. Nasceu em Lisboa, em 1608, e ainda criança mudou-se para o Brasil, onde entrou para a Companhia de Jesus (ordem dos jesuítas). A sua vida ficou ligada tanto a Portugal como ao Brasil, destacando-se na religião, na política e na defesa dos povos indígenas.

Tornou-se célebre sobretudo pelos seus sermões, considerados obras-primas da literatura barroca. A sua linguagem é rica, expressiva e marcada pelo uso de metáforas, antíteses e argumentos persuasivos, características típicas do Barroco. Através da palavra, procurava ensinar, criticar e transformar a sociedade.

Entre as suas principais obras destacam-se:

Sermão da Sexagésima – reflexão sobre a arte de pregar e a eficácia da palavra divina.

Sermão de Santo António aos Peixes – crítica alegórica aos vícios humanos e à sociedade colonial.

Sermão do Bom Ladrão – denúncia da corrupção e dos abusos de poder.

Sermão da Primeira Dominga da Quaresma – reflexão moral e espiritual.

Sermões (coleção publicada em vários volumes) – conjunto de mais de duzentos sermões que abordam temas religiosos, sociais e políticos.

Além dos sermões, escreveu textos de caráter profético e político, entre os quais se destacam:

História do Futuro – obra inacabada, de caráter profético e filosófico, sobre o destino de Portugal.

Clavis Prophetarum – tratado teológico sobre as profecias bíblicas.

Cartas – correspondência de grande valor histórico e literário, revelando o pensamento crítico do autor sobre a sociedade, a política e a Igreja.

Para além da sua produção literária, foi conselheiro do rei D. João IV, defendendo medidas económicas e políticas para fortalecer Portugal após a Restauração da Independência, em 1640. Lutou também contra a escravização injusta dos indígenas no Brasil, posicionando-se a favor da sua proteção e evangelização.

As suas ideias causaram polémica e levaram-no a ser perseguido pela Inquisição, chegando mesmo a ser preso. Mais tarde, foi reabilitado e continuou a sua missão religiosa e intelectual.

Padre António Vieira morreu em 1697, na cidade de Salvador, na Bahia. É lembrado até hoje como um dos maiores escritores da língua portuguesa e um exemplo de coragem intelectual, pela forma como utilizou a palavra para defender ideias, denunciar injustiças e influenciar a sociedade do seu tempo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 

para o mês de fevereiro


   Ovelhinha dá-me lã

      Isabel Minhós Martins












Este livro está disponível na nossa Biblioteca para empréstimo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Escritor do Mês | janeiro

 

JOÃO TORDO -  (1975 - ….)

 

BIOGRAFIA

Nasceu em Lisboa a 28 de Agosto, filho do cantor Fernando Tordo e de Isabel Branco (ligada ao cinema e mais tarde à moda). Andou no Liceu Pedro Nunes e «era o único que não jogava rugby», em vez disso lia, “vício” que lhe pegou o padrasto depois do divórcio dos pais. Acabado o 12º ano, resolveu ir para Filosofia por ser «uma boa maneira de se pôr a pensar». Entrou na Universidade Nova de Lisboa e sentiu o peso da exigência do curso. As aulas de Filosofia medieval marcaram-no e confessa que a partir dali nunca mais viu o mundo da mesma maneira. Depois do curso ainda trabalhou em Lisboa algum tempo como jornalista freelancer mas sentiu a «necessidade de sair daqui e ir viver outras coisas». Foi o que fez e em 1999 rumou a Londres para fazer um mestrado em Jornalismo. A cidade influenciou-o a tantos níveis que quis ficar até «ao limite das suas possibilidades», mas quando deu por si a trabalhar num bar e a fazer traduções percebeu que era tempo de partir. A próxima paragem tinha que ser Nova Iorque - sempre o fascínio das cidades - e os cursos de escrita criativa do City College. Ia às aulas de manhã, servia às mesas de um restaurante durante o jantar e escrevia pela noite dentro.

Os Homens sem Luz nasceram assim. Foi vencedor do prémio Jovens Criadores em 2001. Venceu o Prémio José Saramago 2009 com o romance "As Três Vidas".

João Tordo é influenciado pela escrita de autores como Edgar Allan Poe, Herman Melville ou Dostoievski, e pela literatura policial e de mistério, construindo narrativas dentro de narrativas  (narraception) e absorvendo o leitor através da imersão emocional nas suas histórias.

Os seus livros estão publicados em França, Itália, Brasil, Sérvia e Croácia. Trabalha como cronista, tradutor, guionista e formador em workshops de ficção.

 

OBRA

Romances: O Livro dos Homens Sem Luz, (2004); Hotel Memória (2007); As Três Vidas (2008), Prémio José Saramago 2009  e cuja edição brasileira foi, em 2011, finalista do Prémio Portugal Telecom; O Bom Inverno (2010) finalista do prémio Melhor Livro de Ficção Narrativa da Sociedade Portuguesa de Autores e do Prémio Literário Fernando Namora e cuja tradução francesa integra as obras selecionadas para a 6.ª edição do Prémio Literário Europeu; Anatomia dos Mártires  (2011), finalista do Prémio Literário Fernando Namora; O Ano Sabático (2013). Antologias: "Contos de Vampiros", (2009); "Dez História Para Ser Feliz", (2009); "Um Natal Assim", (2008); "Contos de Terror do Homem Peixe", (2007); "O Homem Que Desenhava na Cabeça dos Outros", (2006). Guião para a longa--metragem Amália, a Voz do Povo (2008)...

 




O Leituras sugere...

 


para o mês de janeiro


Eu Não Quero Ser Um Sapo

Dev Petty










Este livro está disponível na nossa Biblioteca para empréstimo.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

25 anos da Biblioteca da Fundação A LORD


No passado dia 6, a Fundação A LORD celebrou 25 anos da sua Biblioteca com a presença do Presidente do Conselho de Administração da Fundação A LORD, Miguel Ferreira, do Vice-Presidente da Fundação e da Câmara Municipal de Paredes, Francisco Leal, do Presidente da Câmara, Alexandre Almeida, da Vereadora da Cultura, Beatriz Meireles, membros do Conselho de Administração, colaboradores e convidados.

A cerimónia  incluiu  o  lançamento  do  livro  “25  Anos  da  Biblioteca da Fundação  A LORD”, da autoria de Rosário Barbosa.