segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Um poema...

“Tivesse eu sabido”

Tivesse eu sabido, quando a vida era um vento tépido e feliz,
Brando e ruidoso na aurora e na névoa brilhante do orvalho,
Que havia de chegar o tempo em que, suspirando os corações diriam:
“Tivesse eu sabido…”

Nem sequer as rosas rindo ao beijarem-se,
Nem, ao sol, o mais encantador riso ondulante do mar,
Teriam vindo fascinar a minha alma para que neles reparasse.

Agora o vento é como uma alma desterrada a rezar inutilmente
As preces que não conseguimos ouvir se o coração lhes resiste,
Agora que a minha própria alma, à deriva e perdida como o vento, suspira:
“Tivesse eu sabido…”


A. C. Swinburne (1837-1909), tradução de Maria de Lourdes Guimarães, Poemas, edição Relógio d’Água, Lisboa, 2006.


O Leituras sugere...

...para setembro 



O Livro das Receitas Malucas
José Jorge Letria (texto)
João Nunes Sampaio (ilustrações)

Já alguma vez experimentaste mousse de chacalote? E pargolim no forno, salada de gambuzinas ou beringelas magricelas? Conheces o sabor das bolas de Merlim ou dos pastéis de nada? Estas receitas e outras, como os ouriços do ar ou as amêijoas à Bulhão Gato, fazem parte de um livro de receitas malucas que o José Jorge Letria preparou com o tempero do bom humor e da imaginação e servidas com cores e desenhos estranhos. Usa-as para alimentar a tua boa disposição!

Dos 6 aos 9 anos

TEATRO DE FANTOCHES | setembro

11 e 25 de setembro | 10H30 



O Mocho e a raposa
Contos tradicionais do povo português        

HISTÓRIAS DE ENCANTAR | setembro

4 e 18 de setembro | 10H30



O Gualter aprende a Ler  
Dan Elliott

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Exposições

Os nossos escritores
os destaques de 2013 da Biblioteca da fundação a lord

Átrio da Cooperativa e Fundação A LORD





Inspirar, expirar – vamos conhecer o ar!

Até 29 de agosto 
Biblioteca da fundação a lord



Visite-nos


O Leituras sugere...






...para agosto



Big Nate numa classe à parte

 Lincoln Peirce



Nate considera-se genial e, por isso, destinado a grandes coisas…! 

(Ei, olha o Nate! Todos sabem que está destinado à grandeza!) 

Ele sabe que é o melhor - foi um bolinho da sorte que lhe disse! (Hoje vais superar todos os outros) - mas não escapa a alguns problemas que vão surgindo na sua vida.

Os fãs da hilariante série "Diário de Um Banana" vão gostar de Big Nate, o recordista do mundo em travessuras e que não é DE TODO o menino dos professores.

a partir dos 9 anos

Um poema...















É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer,
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas,
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo.
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor,
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos,
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam.
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino.
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A propósito da leitura...


Um poema...

AS COISAS SIMPLES

(Sobre pinturas de Nuno de San Payo)

Gosto das coisas sólidas. Sem brilho. 
Coisas de linho ou de pedra 
desmesuradamente agarradas ao chão.

Gosto das coisas brancas
lavadas pelo ar fresco da manhã
e varridas pela memória recente 
da espuma, do sal ou da gaivota.

Coisas simples e serenas: 
o pão quente e farto, o café tomado em família,
as meninas chilreando sobre a relva
ao sol da primavera. 

Gosto da música suave que, 
quase sem de si nos dar presença, 
se desprende levemente
de uma flor irrepetível.

Gosto dos pequenos gestos, 
os simples, tranquilos e altivos gestos.

Gosto de saber que essa altivez
transporta um incêndio discreto, 
um canto de alaúde, um perfume de alfazema. 

Gosto das coisas simples, sólidas serenas:
um momento de obscura comoção, um resto de luz 
a estender-se na mesa, 
a folha de jornal já lido que se desprende e vai
na desmedida ambição 
de se tornar borboleta.

José Fanha, in "Marinheiro de outras luas"