domingo, 21 de março de 2021

Dia Mundial da Poesia | 21 de março

 

Poemas para crianças

Este ano, dedicamos a celebração desta efeméride às crianças. 

A poesia apela à experimentação e exploração das palavras e dos sons e as crianças costumam adorá-la.

Registamos alguns poemas e deixamos as nossas sugestões de livros de poesia.


TUDO AO CONTRÁRIO


O menino do contra

queria tudo ao contrário;

deitava os fatos na cama

e dormia no armário.


Das cascas dos ovos

fazia uma omelete;

para tomar banho

usava a retrete.


 Andava, corria

de pernas para o ar;

se estava contente

punha-se a chorar.


Molhava-se ao sol,

secava-se na chuva;

e em cada pé

usava uma luva.


Escrevia no lápis

com um lápis;

achava salgado

o sabor do mel.


No dia dos anos

teve dois presentes:

um pente com velas

e um bolo com dentes. 

Luísa Ducla Soares, Poemas da Mentira e da Verdade

O Som das Palavras de Luísa Ducla Soares, Daniel Completo e João Vaz de Carvalho - Uma viagem pelos 50 anos de vida do músico e compositor Daniel Completo.


História do Capuchinho Vermelho

Esta é a história da Menina do Capuchinho Vermelho, virada do avesso, para meninos travessos e bem-humorados. Indicada para crianças entre os 6 e os 10 anos.


«Como estou farto de fazer de bobo!» 

      Disse, cheio de fome, o senhor lobo.
      «Há quatro dias que não trinco osso,
      A avozinha vai ser o meu almoço.»
      Quando a avozinha lhe abriu a porta
      Com o susto tremeu e, meia morta, 
      Fitou aqueles dentes a brilhar.

      «Ai, que o malvado me quer devorar!»
      A pobre senhora tinha razão
      Porque ele a comeu com sofreguidão.
      A avozinha era pequena e dura,
      O almoço não foi uma fartura.

      «Ai, estou com uma fome aterradora,
      Pronto para comer outra senhora.»
      Foi procurar petiscos na cozinha
      Mas nada para roer o bicho tinha.
      «Vou-me sentar no colchão de folhelho
      À espera do Capuchinho Vermelho.»
      Disse o lobo enquanto se vestia
      Com as roupas que por ali havia.
      Saia de seda, botas de verniz,
      Chapéu de veludo foi o que quis.
      Escovou o pelo, as garras pintou,
      Bem disfarçado assim se sentou.
      Um pouco depois, em passo apressado,
      A moça chegou, toda de encarnado.
      ***
      «Ó minha avozinha, quero saber,
      As tuas orelhas estão a crescer?»
      «Sim, minha neta, para melhor te ouvir.»
      «Que grandes olhos tens, querida avó»,
      Disse a menina cheia de dó.
      «São para melhor te ver», disse o lobo
      E pôs-se a pensar: «Não sou nenhum bobo,
      Esta bela menina vou papar,
      Que bom petisco para o meu jantar.
      Vai saber-me que nem um pão de ló,
      Não é velha nem dura como a avó.»
      «Mas avozinha», disse a menina,
      Tens um casaco de pele tão fina.»
      «Não», disse o lobo, «Deves perguntar
      por que são meus dentes de espantar.
      Bem, digas tu o que disseres
      Como-te sem prato nem talheres.»
      A menina sorriu. Da camisola 
      Sacou de imediato uma pistola
      E com uma certeira pontaria
      Pum, pum, pum, aquele lobo morria. 
      ***
      Passaram os dias, passou um mês,
      Vi a menina no bosque outra vez,
      Mas sem o capuz, sem capa encarnada, 
      Toda diferente, toda mudada.
      Sorrindo me explicou: «Daquele bobo
      Fiz este casaco de pele de lobo».
       
      
    Roald Dahl, A menina do Capuchinho Vermelho. in Histórias em Verso para meninos perversos



Livro recomendado para o 5º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada.










Neste livro, o escritor britânico recria, com o seu humor irreverente, seis histórias clássicas que toda a gente conhece: Capuchinho Vermelho, A Gata Borralheira, João e o Pé de Feijão, Branca de Neve e os Sete Anões, Caracóis de Ouro e os Três Ursos e Os Três Porquinhos.




A Charada da Bicharada
Alice Vieira



Lida pela própria Alice Vieira. O texto é de Alice Vieira e a ilustração de Madalena Matoso. Versão multimédia publicada pelo Jornal Público.

Alice Vieira leva-te a conhecer um mundo mágico, em que cada página encerra um enigma e esconde um habitante do reino da bicharada. Depois de leres cada um dos textos, descobre os animais que se escondem nas imagens.

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 1º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada.


Bichos Diversos em Versos
 António Manuel Couto Viana


A TARTARUGA

A Tartaruga

é toda uma ruga

da idade que tem:

mais de cem.

Não gosta de briga:

se alguém a ameaça,

não liga,


oculta na carapaça.

Anda depressa no mar

e, na terra, devagar.

E a tartaruga

em fuga

foge tão lentamente


 que até o caracol

lhe passa à frente.




Sophia de Mello Breyner Andresen compilou num livro poemas em língua portuguesa para a infância e a adolescência, com o objetivo de fazer uma primeira introdução da poesia aos mais pequenos e despertar a sua atenção e curiosidade para esta forma literária.


O PASTOR

Pastor, pastorinho,

onde vais sozinho?

 

Vou àquela serra

buscar uma ovelha.

 

Porque vais sozinho

pastor, pastorinho?

 

Não tenho ninguém

que me queira bem.

 

Não tens um amigo?

Deixa-me ir contigo.

EUGÉNIO DE ANDRADE


TREM de FERRO

Café com pão

Café com pão

Café com pão

Virge Maria que foi isto maquinista?

 Agora sim

Café com pão

Agora sim


Voa, fumaça

Corre, cerca

Ai seu foguista

Bota fogo

Na fornalha

Que eu preciso

Muita força

Muita força

Muita força

 Oô...

Foge, bicho

Foge, povo

Passa ponte

Passa poste

Passa pasto

Passa boi

Passa boiada

Passa galho

De ingazeira

Debruçada

No riacho

Que vontade

De cantar!

 Oô...

Quando me prendero

No canaviá

Cada pé de cana

Era um oficiá

 Oô...

Menina bonita

Do vestido verde

Me dá tua boca

Pra matá minha sede

Oô...

Vou mimbora vou mimbora

Não gosto daqui

Nasci no Sertão

Sou de Ouricuri

Oô...

Vou depressa

Vou correndo

Vou na toda

Que só levo

Pouca gente

Pouca gente

Pouca gente...

Manuel Bandeira




Publicado em livro e em disco a partir do recital Poemas para Bocas Pequenas, da autoria de Margarida Mestre e António-Pedro, esta obra mostra toda a força da poesia. Destinado a crianças entre os três e os cinco anos, o jogo de sons e sentidos apresentado no livro-disco desperta o pensamento, a imaginação, a voz, o corpo, o espanto e o riso dos mais pequenos.

“Palavra a palavra, / pé ante pé, / abrimos caminho para ver como é", escreve e canta Margarida. 



Sem comentários:

Enviar um comentário