Lídia Jorge
Lídia Jorge nasceu no Algarve, em Boliqueime, concelho de
Loulé a 18 de junho de 1946, numa família de agricultores e de emigrantes, é
uma escritora portuguesa do período pós-Revolução, autora de romances, contos,
ensaios, poesia e crónica.
Licenciou-se em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa, graças ao apoio de uma bolsa da Fundação Calouste
Gulbenkian.
Depois de licenciada, foi professora do Ensino Secundário.
Foi nessa condição que passou alguns anos decisivos em Angola e Moçambique,
acompanhando o marido, durante o último período da Guerra Colonial.
Décadas depois veio a lecionar também, como professora
convidada, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre 1995 e 1999.
Por designação do Governo Português, foi membro da Alta
Autoridade para a Comunicação Social.
Integrou o Conselho Geral da Universidade do Algarve.
Embora próxima do Partido Socialista, em 2021, foi nomeada
membro do Conselho de Estado, pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de
Sousa, para o período de 2021 a 2026.
No dia 10 de Junho de 2025, na qualidade de presidente da
comissão organizadora, interveio nas comemorações do Dia de Portugal,
apresentando um discurso cuja receção pública se dividiu entre o elogio e a
reprovação.
Tem-se destacado na defesa dos direitos humanos em geral e
na dos direitos das mulheres com particular ênfase.
Obra
Lídia Jorge surgiu na escrita com o romance O Dia dos
Prodígios (1980). A obra constituiu um acontecimento num período em que se
inaugurava uma nova fase da literatura portuguesa e, desde logo, a autora
tornou-se um dos nomes de maior interesse dessa fase.
Os títulos seguintes O Cais das Merendas (1982) e Notícia da
Cidade Silvestre (1884) foram ambos distinguidos com o Prémio Literário
Município de Lisboa, o primeiro dos quais em 1983, ex aequo com Memorial do
Convento, de José Saramago.
Notícia da Cidade Silvestre (1984), reafirma o valor da
escritora, mas seria com A Costa dos Murmúrios (1988), livro que reflete a
experiência passada na África colonial, que a autora consolidaria o seu lugar
no panorama literário português.
Na década de 1990 seguiram-se A Última Dona (1992), O Jardim sem Limites (1995) e O Vale da Paixão (1998).
Nos anos 2000 editou O Vento Assobiando nas Gruas (2002),
posteriormente adaptado para cinema pela realizadora Jeanne Waltz.
Combateremos a Sombra, publicado em Portugal em 2007,
recebeu em França o Prémio Michel Brisset 2008, atribuído pela Associação dos
Psiquiatras Franceses.
Com chancela da Editora Sextante, publicou em 2009, o livro
de ensaios Contrato Sentimental, reflexão crítica sobre o futuro de Portugal. Os Memoráveis,
publicado em 2014, é um livro sobre a mitologia da Revolução dos Cravos,
retomando o tema de O Dia dos Prodígios, seu primeiro livro. Em 2016 publicou O
Amor em Lobito Bay e em 2018 Estuário, sobre a vulnerabilidade do tempo atual.
Já em 2022, a escritora publicou Misericórdia, uma reflexão
sobre a humanidade e uma homenagem à sua mãe, Maria dos Remédios, falecida
durante a pandemia de Covid-19. Por este romance, foi distinguida com um
conjunto de prémios, como o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação
Portuguesa de Escritores (2022), o Prémio Eduardo Lourenço (2023), o Prémio de
Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues (2023), Prémio do PEN Clube Português
de narrativa (2023) ou o Prémio Médicis estrangeiro (2023).
Entretanto, estreara-se na poesia em 2019, com o seu
primeiro livro, O Livro das Tréguas, apesar de, curiosamente, Lídia Jorge
escrever poesia desde muito jovem.
Outras publicações incluem as antologias de contos, Marido e
Outros Contos (1997), O Belo Adormecido (2003), e Praça de Londres (2008), para
além das edições separadas de A Instrumentalina (1992) e O Conto do Nadador
(1992).
Em 2020, com o título de Em Todos os Sentidos, reuniu as
crónicas que leu, ao longo de um ano, aos microfones da Rádio Pública, Antena
2.
Sem comentários:
Enviar um comentário