quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Visita a Aveiro


No passado sábado, 14 de setembro, a Biblioteca realizou uma visita ao património natural e cultural da região lagunar denominada ria de Aveiro.

O primeiro local de paragem foi o museu da Troncalhada onde se pode apreciar o método artesanal da produção de sal, nas marinhas locais, bem como as plantas e as aves que habitam o espaço.








A seguir, o passeio de moliceiro permitiu admirar a cidade a partir dos seus canais, com destaque para as casas de estilo Arte Nova, no canal central, os palheiros e armazéns de sal, no canal de S. Roque e as antigas fábricas de cerâmica, no canal do Côjo.









Após um almoço retemperador, uma breve visita ao mercado do peixe, antes de uma panorâmica pela cidade que contemplou a passagem pela avenida Lourenço Peixinho, aberta em 1918, até ao Rossio, a zona histórica onde se destacam a Sé Catedral e o Museu de Aveiro. Tempo ainda para apreciar o parque D. Pedro e a Universidade.




A saída da cidade fez-se em direção a Ílhavo, para visitar as instalações da Vista Alegre, em particular a capela e o museu. Fundada em 1824, por José Ferreira Pinto Basto, foi a primeira unidade industrial, no país, dedicada à produção de porcelana.



















A visita à ria de Aveiro prosseguiu em direção ao mar, na margem sul da barra do rio Vouga onde se destacam as praias da Barra, com o farol mais alto do país (62 metros) e da Costa Nova. Nesta povoação, sobressaem os antigos palheiros, caracterizados pelas riscas coloridas em fundo branco, outrora armazéns de pesca e de salga, hoje residências balneares. Merece referência o mercado do peixe onde se pode encontrar diferentes espécies de peixe e marisco vindos do mar bem como bivalves capturados na ria.












O regresso a Lordelo aconteceu ao fim da tarde de um verdadeiro dia de verão em que o sol realçou a beleza das paisagens da ria de Aveiro.

Como vem sendo hábito de anos anteriores, foram distribuídas, a todos os participantes, folhas informativas sobre a visita, elaboradas pelo guia acompanhante, Daniel Afonso.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Escritor do mês | setembro

António Costa Santos
(1957/)


António Costa Santos (Lisboa, 1957), é um jornalista e escritor português. Iniciou a sua carreira em 1976 no jornal O Diário, foi chefe de redação do semanário Se7e e foi redator, editor e colunista no jornal diário Expresso, entre 1989 e 2000. Escreveu guiões para cinema e televisão, incluindo A Vida Íntima de Salazar. Publicou, entre outros livros, o romance Diário de um Gajo Divorciado e o infantojuvenil As coisas que eles sabem. Em 2007, editou Proibido! um estudo sobre proibições aberrantes existentes no tempo da ditadura e Livro das (In)Utilidades). Em 2008 lançou Porto versus Lisboa, um despique com António Eça de Queiroz. Em 2009 seria a vez de 10 Razões para Amar e Odiar Portugal, um ensaio humorístico sobre as características dos portuguese Em 2011, publicou Herman – O Verdadeiro Artista e em 2019, Adeus Cariño e Era Proibido.



Era Proibido

Já imaginou viver num país onde tem de possuir uma licença do Estado para usar um isqueiro? Como será a vida num país onde uma mulher, para viajar, precisa de autorização escrita do marido e as enfermeiras estão proibidas de casar? Haverá um país onde meçam o comprimento das saias das raparigas à entrada da escola, para que os joelhos não apareçam?
Imagina-se a viver numa terra onde não pode ler o que lhe apetece, ouvir a música que quer? Já nos esquecemos, mas ainda há poucos anos tudo isto era proibido em Portugal.

Tudo isto e muito mais, como dar um beijo em público. 

O Leituras sugere...





...para setembro


Já Te Disse que Te Amo?
Trilogia Dimily - Livro 1
 Estelle Maskame


Eden, de dezasseis anos, vai passar o verão na Califórnia com a nova família do seu pai, numa tentativa de esquecer o drama que deixou em casa. Mas quando conhece Ella, a madrasta, e os seus três filhos, Eden mal sabe o que a espera. O filho mais velho de Ella, Tyler Bruce, é um autêntico bad boy: sedutor, egocêntrico, violento... Eden não o suporta. Mas com o passar do tempo, Eden descobre nele uma grande fragilidade, consequência de um passado difícil. Ao tentar perceber a verdade sobre Tyler, Eden dará por si a apaixonar -se pela única pessoa por quem isso não devia acontecer...

(Jovem adulto)

Um poema...

Via Láctea













“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, 
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Olavo Bilac

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Escritor do mês | agosto

Nora Roberts
(1950/)


Com Mais de 200 livros publicados, 500 milhões de exemplares vendidos em mais de 35 países e traduzidos para 25 idiomas, a escritora Nora Roberts (nascida Eleanor Marie Robertson) é um fenómeno da literatura americana e mundial. Nascida em 10 de outubro de 1950, em Maryland, nos Estados Unidos, filha de pais com descendência irlandesa, ela esteve sempre em contato com a literatura, mas, na infância e adolescência, não escrevia nada além das redações escolares.

Nora frequentou uma escola católica e, no segundo ano do Ensino Médio, transferiu-se para um colégio público. Lá, conheceu Ronald Aufdem-Brinke, seu primeiro marido, com quem se casou em 1968, contra a vontade dos pais. Atualmente, está casada com Bruce Wilder. 

Ela começou a escrever, em 1979, quando ficou presa em casa com os dois filhos por causa de uma forte nevasca.

Depois, a escritora enviou três manuscritos à Editora Harlequim, principal empresa de publicação de romances, mas todos os textos foram recusados. A autora conseguiu publicar seu primeiro livro, Almas em chamas, em 1981, na Silhouette. Nesta editora, ela publicou outros 23 títulos. No entanto, Nora só conseguiu projeção internacional com a obra Jogo de sedução, que rapidamente se tornou um best-seller.

A escritora, que já utilizou alguns pseudónimos – como Sarah Hardesty, Jill March e J.D. Robb -, marcou presença, diversas vezes, nas listas dos livros mais vendidos do The New York Times.

Foi a primeira autora a ser convidada para o Romance Writers of America Hall of Fame. Vive em Keedysville onde continua a escrever.

Nora Roberts é uma das autoras mais lidas, acarinhadas e respeitadas do mundo.



„Algumas pessoas querem o simples, o banal e o tranquilo. Isso não faz com que as pessoas que querem o complicado, o extraordinário e o emocionante sejam gananciosas ou egoístas. Querer é querer, qualquer que seja o sonho.”

Nora Roberts

O Leituras sugere...





...para agosto 


Carolina N.º 2
Porquê?! Mas… Porquê?!
 Patrícia Reis


O verão está à porta e apetece tudo menos estudar. Só que estão aí os exames nacionais e chumbar não é opção. É preciso ter amigos a sério e um coração de ferro para resistir a tantos baldes de água fria. A vida de Carolina dava um filme (pelo menos é o que ela acha). Será que vai conseguir ultrapassar estes dias loucos e chegar a salvo aos 18 anos? Já só faltam 1180 dias!

A coleção de livros que as adolescente adoram ler!

Um poema...

ARTE POÉTICA 

o poema não tem mais que o som do seu sentido, 
a letra p não é a primeira letra da palavra poema, 
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma, 
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva 
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil 
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura 
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes 
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não 
se escrevem, Lê-se país e mar e céu esquecido e 
memória, lê-se silêncio, sim tantas vezes, poema lê-se silêncio, 
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu 
olhar doce de menina, silêncio ao domingo entre as conversas, 
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio 
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema 
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em 
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem. 
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz, 
a letra p não é a primeira letra da palavra poema, 
o poema é quando eu podia dormir à tarde nas férias 
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu 
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não 
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a 
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do 
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel 
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas 
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças 
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo. 
o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama 
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de 
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para 
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo 
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo, 
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento, 
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são 
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a 
raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos 
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um 
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre 
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema 
porque a palavra poema é um palavra, o poema é a 
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre 
os telhados na hora em que todos dormem, é a última 
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança. 
o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos, 
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se 
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e 
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema, 
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo 
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por 
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares 
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos, 
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me 
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a 
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido. 

José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas