segunda-feira, 9 de março de 2026

O Escritor do Mês | Março

 

 

António Lobo Antunes (1942-2026)

Biografia

António Lobo Antunes nasceu na freguesia de Benfica, em Lisboa, a 1 de setembro de 1942, no seio de uma família da alta burguesia portuguesa. Era filho de João Alfredo Lobo Antunes, um destacado neurologista português, assistente de Egas Moniz e professor de Medicina. Na sua família encontravam-se várias figuras de relevo, como o seu irmão João Lobo Antunes, neurocirurgião e antigo membro do Conselho de Estado, Nuno Lobo Antunes, neuropediatra, Miguel Lobo Antunes, programador cultural, Manuel Lobo Antunes, jurista e diplomata, e Pedro Lobo Antunes, arquiteto e vereador da Câmara Municipal de Torres Novas.

Durante a infância, passava frequentemente as férias de verão em Nelas, na casa dos avós maternos, lugar que marcaria a sua memória e que permaneceria ligado à sua história familiar. Estudou no Liceu Camões, em Lisboa, e mais tarde licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Após terminar o curso, foi mobilizado como médico militar durante a Guerra Colonial Portuguesa, entre 1971 e 1973, servindo no leste de Angola, em locais como Lumbala Guimbo e Chiume, e posteriormente em Malanje. Durante esse período trocou várias cartas com a sua primeira mulher, Maria José Lobo Antunes, que na altura estava grávida da primeira filha do casal. Essas cartas foram mais tarde reunidas pelas filhas Maria José e Joana Lobo Antunes no livro D’este viver aqui neste papel descripto, obra que inspirou o filme Cartas da Guerra, realizado por Ivo Ferreira. A experiência da guerra marcou profundamente o escritor e tornou-se um dos temas centrais de vários dos seus romances.

O seu primeiro livro, Memória de Elefante, foi publicado em 1979 pela editora Vega e tornou-se rapidamente um grande sucesso literário. A partir daí, construiu uma das obras mais importantes da literatura portuguesa contemporânea, publicando ao longo da sua carreira 29 romances e cinco volumes de crónicas originalmente divulgadas na revista Visão.

Ao longo da sua vida recebeu vários reconhecimentos pelo seu contributo literário. Em 2007 foi distinguido com o Prémio Camões, o mais prestigiado prémio da literatura em língua portuguesa. Em Nelas existe uma biblioteca com o seu nome, ligada à terra onde a sua família possui uma casa construída na década de 1940. Em 2016 tornou-se sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa. Dois anos depois, em 2018, a Bibliothèque de la Pléiade anunciou a publicação da sua obra, tornando-o apenas o segundo escritor português, depois de Fernando Pessoa, e um dos raros autores ainda vivos a integrar esta prestigiada coleção.

Durante décadas, António Lobo Antunes foi frequentemente apontado como candidato ao Prémio Nobel de Literatura, devido ao reconhecimento internacional da sua obra.

António Lobo Antunes faleceu a 5 de março de 2026, aos 83 anos de idade, vítima de cancro. Em sua homenagem, foi decretado em Portugal um dia de luto nacional a 7 de março de 2026, reconhecendo a importância do seu contributo para a literatura portuguesa e mundial.

Obras publicadas

Memória de Elefante, (1979); Fado Alexandrino, (1983); (...); Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, (2000); (...); Não É Meia Noite Quem Quer, (2012); (...)


   





segunda-feira, 2 de março de 2026

O Leituras Sugere

 para o mês de março



   O Estranhão 

O Rapaz das Cuecas Voadoras

      Álvaro de Magalhães














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