quinta-feira, 1 de agosto de 2019

O Leituras sugere...





...para agosto 


Carolina N.º 2
Porquê?! Mas… Porquê?!
 Patrícia Reis


O verão está à porta e apetece tudo menos estudar. Só que estão aí os exames nacionais e chumbar não é opção. É preciso ter amigos a sério e um coração de ferro para resistir a tantos baldes de água fria. A vida de Carolina dava um filme (pelo menos é o que ela acha). Será que vai conseguir ultrapassar estes dias loucos e chegar a salvo aos 18 anos? Já só faltam 1180 dias!

A coleção de livros que as adolescente adoram ler!

Um poema...

ARTE POÉTICA 

o poema não tem mais que o som do seu sentido, 
a letra p não é a primeira letra da palavra poema, 
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma, 
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva 
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil 
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura 
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes 
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não 
se escrevem, Lê-se país e mar e céu esquecido e 
memória, lê-se silêncio, sim tantas vezes, poema lê-se silêncio, 
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu 
olhar doce de menina, silêncio ao domingo entre as conversas, 
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio 
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema 
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em 
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem. 
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz, 
a letra p não é a primeira letra da palavra poema, 
o poema é quando eu podia dormir à tarde nas férias 
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu 
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não 
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a 
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do 
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel 
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas 
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças 
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo. 
o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama 
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de 
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para 
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo 
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo, 
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento, 
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são 
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a 
raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos 
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um 
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre 
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema 
porque a palavra poema é um palavra, o poema é a 
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre 
os telhados na hora em que todos dormem, é a última 
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança. 
o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos, 
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se 
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e 
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema, 
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo 
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por 
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares 
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos, 
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me 
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a 
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido. 

José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas 


sexta-feira, 12 de julho de 2019

Escritor do mês | julho

João Pedro Marques
(1949/)


João Pedro Marques nasceu em Lisboa, em 1949. Foi professor do ensino secundário e, depois, durante mais de duas décadas, investigador do Instituto de Investigação Científica Tropical e Presidente do Conselho Científico desse Instituto, em 2007-2008. Doutorado em História pela Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou durante a década de 1990, é autor de dezenas de artigos sobre temas de história colonial, e de vários livros, dois dos quais publicados em Nova Iorque e Oxford (The Sounds of Silence, 2006; e, em coautoria, Who Abolished Slavery? A debate with João Pedro Marques, 2010). Em 2010 publicou o seu primeiro romance, Os Dias da Febre, ao qual se seguiram, em 2012, Uma Fazenda em África (que, com várias edições, constituiu um dos grandes sucessos do ano), em 2014, O Estranho Caso de Sebastião Moncada, em 2015, Do Outro Lado do Mar, em 2017, Vento de Espanha e, em 2019, A Aluna Americana.



A Aluna Americana

Novembro de 1968. Usam-se cabelos compridos e cores garridas, a música pop enche o ar de sons novos e eletrizantes — os Beatles estão no auge —, e a França vai-se recompondo dos tumultos de maio. Os progressos científicos são palpáveis e quase diários. O Homem está a dois passos da Lua, Barnard fez os primeiros transplantes cardíacos e a chamada revolução sexual avança no mundo ocidental, graças à pílula e à liberalização dos costumes. Portugal, ainda apertado na dolorosa tenaz da guerra em África, deposita muitas esperanças na Primavera Marcelista e procura agarrar os ventos que sopram lá fora e que lhe chegam a conta-gotas, filtrados pela censura.

É nesse contexto e nesse novembro que, por mero acaso, o professor universitário José Duarte Cincinnato de Sousa conhece Isabel Botelho, uma estudante de Românicas acabada de chegar dos Estados Unidos da América.

A Aluna Americana é a história da relação entre ambos, uma história de afetos e sentimentos que nos faz frequentemente passar da desempoeirada amplidão dos mundos exteriores para a estreita pequenez de um Portugal fechado. De passagem em passagem, iremos vendo como um homem conservador vive os prazeres, as dores e os desafios da sua paixão por uma mulher mais nova, para a qual nada é sagrado, exceto, talvez, o amor.
Esta narrativa passa-se numa época na qual, como disse Paul Simon, a música fluía e impregnava a vida do dia a dia. 

«Como não poderia deixar de ser essa música está presente neste romance não apenas como uma ilustração daquele tempo, mas também como uma parte da narrativa porque cada canção que entra no texto tem uma ligação, um nexo, com segmentos específicos da história. Se Isabel, numa bancada do Candlestick Park, em São Francisco, canta, de lágrimas nos olhos, She’s a Woman em uníssono com os Beatles, é porque morre de saudade do seu amor desavindo e lhe quer pedir perdão. E se José Duarte se amargura sempre que ouve Et maintenant, de Gilbert Bécaud, é porque, com a partida de Isabel, a sua vida se tornou vazia e sem sentido. 

A playlist seguinte https://open.spotify.com/playlist/7B1JXDYiyA6k5oIBZIijeG comporta 28 músicas. 
Cada uma delas lembra ao leitor o som daquele período e transporta-o para um momento particular de uma extraordinária história de amor.» 

(in wookacontece)

O Leituras sugere...





...para julho


O novelo de emoções
Elizabete Neves



O novelo de emoções desenrola-se em torno de uma menina que não sabe o que se passa com ela, pois sente algo que não consegue explicar. O seu amigo Sukha,  através de um novelo de lã imaginário, constituído por cinco fios de cores diferentes, todos misturados, correspondendo cada um a uma emoção primária, vai demonstrar que o que ela sente são emoções. Com exemplos do seu dia a dia, Sukha vai ensinar Marta a reconhecer as emoções, que não são boas nem más, mas que nos transmitem sempre uma mensagem. Cabe a cada um de nós descobrir qual é!

Um livro cativante que ajuda a explicar, de forma simples, às crianças, aquilo que sentem e como o podem expressar.

Um poema...


CAFÉ ORFEU

Nunca tinha caído
de tamanha altura em mim
antes de ter subido
às alturas do teu sorriso.
Regressava do teu sorriso
como de uma súbita ausência
ou como se tivesse lá ficado
e outro é que tivesse regressado.
Fora do teu sorriso
a minha vida parecia
a vida de outra pessoa
que fora de mim a vivia.
E a que eu regressava lentamente
como se antes do teu sorriso
alguém (eu provavelmente)
nunca tivesse existido.

Manuel António Pina, Todas as Palavras

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Escritor do mês | junho

RAUL MINH'ALMA

(1992/)


«Muda, volta atrás, começa de novo, arrisca, perde, perde vezes sem conta, mas levanta-te e sorri, mesmo sem vontade, sorri.» 

RAUL MINH'ALMA

Nasceu em 1992, é natural do Marco de Canaveses, formado em Engenharia Mecânica na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Começou a escrever poesia com dezassete anos e em 2011 lança o seu primeiro livro de poemas com o título Desculpe Mãe. Na altura de dar um novo passo, começou a escrever prosa e editou em 2014 o seu primeiro romance, Os Mistérios de Santiago. Aos vinte e dois anos conclui o seu terceiro livro, uma coletânea de 500 frases que intitula de Fome, a sua primeira obra traduzida e publicada em Espanha. Ainda em 2015 edita, juntamente com mais oito autores, o livro Letras de Barriga Cheia, inserido num projeto social e cultural com o mesmo nome. Aos vinte e quatro anos, em 2016, escreve Larga Quem Não Te Agarra, um dos livros de ficção mais vendidos em Portugal e que chegou ao Brasil em 2017. No mesmo ano, lança Todos os Dias São para Sempre. Em 2018 edita Dá-me um Dia para Mudar a Tua Vida e Foi Sem Querer Que Te Quis, confirmando-se como um autor bestseller que conquistou os portugueses.


No dia em que a tua família deixar de estar em primeiro lugar na tua vida... Volta atrás, porque te enganaste no caminho.

Não te sintas perdido, quando o único remédio para a tua dor for o tempo, pois não encontrarás forma mais natural de a curar.

Façamos de um simples gesto uma obra de caridade e de um simples sorriso uma divina recompensa.

Raul Minh'alma

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Um poema


Soçobrou por engano o nosso amor


E hoje desconheço
a que distância fica o teu rosto.
Agora só te olho deste lado
onde o céu tem o tom frio
do metal
E não sei
Não sei mesmo
Quem
Poderá medir
A luz que me falha no sorriso
Para compor a ilusão
De um recomeço.

Deus, dirias tu, no teu jogo secreto de ironias__
Um Deus pode*.
Mas como erguer do sol*
Deste sol talvez menor
O acorde exacto de harmonia
Quando rastejo na sombra dos teus passos
A difícil penumbra de um abraço?

*Nota: versos de empréstimo de Rainer Maria Rilke


Ana Margarida Borges, Talvez se me emprestares um desses versos

O Leituras sugere...





...para junho 


Coragem e Sininho
A Fantástica História de Carolina
 Rosabela Afonso


Este livro aborda, de forma simples, resumida e ilustrada, a biografia de Carolina Beatriz Ângelo que contribuiu de forma empenhada para os valores republicanos.

Este é um dos seis volumes que constituem a Coleção "AS MULHERES E A REPÚBLICA" que apresenta, volume a volume, o percurso e os valores defendidos e praticados por mulheres tão diferentes como Carolina Beatriz Ângelo, Adelaide Cabete, Maria Veleda, Ana de Castro Osório, Angelina Vidal e Emília Sousa Costa, as quais estavam, afinal, unidas por uma preocupação comum - a busca de um mundo novo e melhor, a procura de um caminho para a felicidade.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

FEIRA DO LIVRO | 2019

De 20 de maio a 1 de junho, a Biblioteca da Fundação A LORD realizou a habitual Feira do Livro, cumprindo mais uma iniciativa para promoção do livro e da leitura.
   
Como já é hábito, o programa deste ano promoveu a venda de livros com desconto e um conjunto de iniciativas de animação literária direcionadas, de modo especial, para o público mais jovem.

Esteve entre nós a escritora Carla Garrido que apresentou o seu livro O Crocodilo do Nilo. Na aventura deste crocodilo pelo deserto participaram os meninos do pré-escolar das Escolas Básicas 1 e 2 de Lordelo que seguiram com atenção o desenrolar da história e aprenderam a importância de valores como a gratidão e a amizade.

EB1 N.º 1 de Lordelo 

EB1 N.º 2 de Lordelo

Também foi nossa convidada a contadora de histórias Estefânia Surreira que, num formato muito simples, interativo e divertido, deliciou os meninos da Escola Básica de Freamunde  com as histórias O Cuquedo e O Coelhinho branco.


Já nos habituamos às visitas do escritor João Manuel Ribeiro que recebemos sempre com muito agrado. Este ano foram os alunos do 1º ciclo das Escolas Básicas 1 e 2 de Lordelo que tiveram o privilégio de escutar histórias, poemas, adivinhas e lengalengas numa interação lúdica, a partir dos livros Alfabeto de adivinhas e Cantilenas loucas.  

EB1 N.º 1 de Lordelo 

EB1 N.º 2 de Lordelo 

Para as crianças do Jardim de Infância o encontro com a ilustradora Fedra Santos foi ocasião para dar asas à imaginação e à criatividade, construindo uma história através de ilustrações e compreendendo a importância da imagem numa narrativa.


Os nossos leitores seniores foram convidados para um encontro com a poetisa Ana Margarida Borges. A autora de Já não moro aqui e Talvez se me emprestares um desses versos tem sido distinguida em diferentes concursos e publicações várias, em coletivos em Portugal e no Brasil. Ana Margarida Borges leu poemas dos seus livros e dinamizou uma atividade interativa no âmbito da poesia.


Também as Histórias de Encantar, apresentadas pela equipa educativa da biblioteca, divertiram e fizeram sonhar os meninos que assistiram a estes momentos mágicos.



A visita à Feira foi ainda oportunidade para as escolas participantes levarem para as suas bibliotecas livros autografados pelos escritores convidados e oferecidos pela nossa Biblioteca.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Do livro para o palco

Dando continuidade à iniciativa que visa a promoção do teatro, como arte do espetáculo, junto do público escolar de Lordelo, e o apoio ao programa curricular da disciplina de Língua Portuguesa/Português, a Biblioteca da Fundação A LORD promoveu, mais uma vez, a realização de três espetáculos a cargo da companhia teatral Atrapalharte, de Coimbra.
Este projeto, desenvolvido em parceria com o Agrupamento de Escolas de Lordelo, tem como objetivo facilitar a interpretação dos textos literários de leitura recomendada nos diferentes ciclos de estudo.

Em fevereiro, os alunos do 10º ano assistiram à dramatização da Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente e gostaram, conforme declaram na mensagem enviada que agradecemos.



Ainda neste mês, a festa do teatro foi também vivida pelos alunos do 6º e do 7º ano que assistiram à dramatização T`Ulisses, a partir do livro "Ulisses"- adaptação de Maria Alberta Menéres, obra recomendada pelo PNL para as Metas Curriculares de Leitura no 6.º ano e nas obras "A Ilíada" e "A Odisseia" de Homero. A peça retrata de forma humorística as aventuras de Ulisses, o famoso herói grego da Guerra de Troia.



Em maio, foi a vez dos meninos do 1º ciclo virem ao teatro. Todos se divertiram com O Senhor do Seu Nariz, que nos conta "a história de um rapaz condenado a carregar, desde a nascença, um nariz do tamanho de um chouriço e que, aos poucos, transforma a sua desgraça em graça". Baseada em duas das cinco histórias do livro "O Senhor do Seu Nariz" de Álvaro Magalhães, livro das Metas Curriculares de Leitura do Plano Nacional de Leitura para o 3.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico, esta peça incentiva-nos a olhar para nós e para os outros sem julgamentos, a sermos tolerantes, aceitando as nossas diferenças como marcas da nossa identidade única e especial.




Foi um prazer receber, novamente, a Companhia Atrapalharte cujos talento e humor encantam e divertem todos.


Para saber mais sobre a Companhia Atrapalharte:
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• http://atrapalharte.pt/