segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Escritor do mês | setembro

António Costa Santos
(1957/)


António Costa Santos (Lisboa, 1957), é um jornalista e escritor português. Iniciou a sua carreira em 1976 no jornal O Diário, foi chefe de redação do semanário Se7e e foi redator, editor e colunista no jornal diário Expresso, entre 1989 e 2000. Escreveu guiões para cinema e televisão, incluindo A Vida Íntima de Salazar. Publicou, entre outros livros, o romance Diário de um Gajo Divorciado e o infantojuvenil As coisas que eles sabem. Em 2007, editou Proibido! um estudo sobre proibições aberrantes existentes no tempo da ditadura e Livro das (In)Utilidades). Em 2008 lançou Porto versus Lisboa, um despique com António Eça de Queiroz. Em 2009 seria a vez de 10 Razões para Amar e Odiar Portugal, um ensaio humorístico sobre as características dos portuguese Em 2011, publicou Herman – O Verdadeiro Artista e em 2019, Adeus Cariño e Era Proibido.



Era Proibido

Já imaginou viver num país onde tem de possuir uma licença do Estado para usar um isqueiro? Como será a vida num país onde uma mulher, para viajar, precisa de autorização escrita do marido e as enfermeiras estão proibidas de casar? Haverá um país onde meçam o comprimento das saias das raparigas à entrada da escola, para que os joelhos não apareçam?
Imagina-se a viver numa terra onde não pode ler o que lhe apetece, ouvir a música que quer? Já nos esquecemos, mas ainda há poucos anos tudo isto era proibido em Portugal.

Tudo isto e muito mais, como dar um beijo em público. 

O Leituras sugere...





...para setembro


Já Te Disse que Te Amo?
Trilogia Dimily - Livro 1
 Estelle Maskame


Eden, de dezasseis anos, vai passar o verão na Califórnia com a nova família do seu pai, numa tentativa de esquecer o drama que deixou em casa. Mas quando conhece Ella, a madrasta, e os seus três filhos, Eden mal sabe o que a espera. O filho mais velho de Ella, Tyler Bruce, é um autêntico bad boy: sedutor, egocêntrico, violento... Eden não o suporta. Mas com o passar do tempo, Eden descobre nele uma grande fragilidade, consequência de um passado difícil. Ao tentar perceber a verdade sobre Tyler, Eden dará por si a apaixonar -se pela única pessoa por quem isso não devia acontecer...

(Jovem adulto)

Um poema...

Via Láctea













“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, 
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Olavo Bilac

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Escritor do mês | agosto

Nora Roberts
(1950/)


Com Mais de 200 livros publicados, 500 milhões de exemplares vendidos em mais de 35 países e traduzidos para 25 idiomas, a escritora Nora Roberts (nascida Eleanor Marie Robertson) é um fenómeno da literatura americana e mundial. Nascida em 10 de outubro de 1950, em Maryland, nos Estados Unidos, filha de pais com descendência irlandesa, ela esteve sempre em contato com a literatura, mas, na infância e adolescência, não escrevia nada além das redações escolares.

Nora frequentou uma escola católica e, no segundo ano do Ensino Médio, transferiu-se para um colégio público. Lá, conheceu Ronald Aufdem-Brinke, seu primeiro marido, com quem se casou em 1968, contra a vontade dos pais. Atualmente, está casada com Bruce Wilder. 

Ela começou a escrever, em 1979, quando ficou presa em casa com os dois filhos por causa de uma forte nevasca.

Depois, a escritora enviou três manuscritos à Editora Harlequim, principal empresa de publicação de romances, mas todos os textos foram recusados. A autora conseguiu publicar seu primeiro livro, Almas em chamas, em 1981, na Silhouette. Nesta editora, ela publicou outros 23 títulos. No entanto, Nora só conseguiu projeção internacional com a obra Jogo de sedução, que rapidamente se tornou um best-seller.

A escritora, que já utilizou alguns pseudónimos – como Sarah Hardesty, Jill March e J.D. Robb -, marcou presença, diversas vezes, nas listas dos livros mais vendidos do The New York Times.

Foi a primeira autora a ser convidada para o Romance Writers of America Hall of Fame. Vive em Keedysville onde continua a escrever.

Nora Roberts é uma das autoras mais lidas, acarinhadas e respeitadas do mundo.



„Algumas pessoas querem o simples, o banal e o tranquilo. Isso não faz com que as pessoas que querem o complicado, o extraordinário e o emocionante sejam gananciosas ou egoístas. Querer é querer, qualquer que seja o sonho.”

Nora Roberts

O Leituras sugere...





...para agosto 


Carolina N.º 2
Porquê?! Mas… Porquê?!
 Patrícia Reis


O verão está à porta e apetece tudo menos estudar. Só que estão aí os exames nacionais e chumbar não é opção. É preciso ter amigos a sério e um coração de ferro para resistir a tantos baldes de água fria. A vida de Carolina dava um filme (pelo menos é o que ela acha). Será que vai conseguir ultrapassar estes dias loucos e chegar a salvo aos 18 anos? Já só faltam 1180 dias!

A coleção de livros que as adolescente adoram ler!

Um poema...

ARTE POÉTICA 

o poema não tem mais que o som do seu sentido, 
a letra p não é a primeira letra da palavra poema, 
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma, 
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva 
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil 
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura 
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes 
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não 
se escrevem, Lê-se país e mar e céu esquecido e 
memória, lê-se silêncio, sim tantas vezes, poema lê-se silêncio, 
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu 
olhar doce de menina, silêncio ao domingo entre as conversas, 
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio 
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema 
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em 
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem. 
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz, 
a letra p não é a primeira letra da palavra poema, 
o poema é quando eu podia dormir à tarde nas férias 
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu 
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não 
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a 
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do 
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel 
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas 
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças 
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo. 
o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama 
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de 
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para 
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo 
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo, 
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento, 
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são 
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a 
raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos 
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um 
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre 
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema 
porque a palavra poema é um palavra, o poema é a 
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre 
os telhados na hora em que todos dormem, é a última 
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança. 
o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos, 
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se 
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e 
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema, 
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo 
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por 
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares 
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos, 
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me 
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a 
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido. 

José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas 


sexta-feira, 12 de julho de 2019

Escritor do mês | julho

João Pedro Marques
(1949/)


João Pedro Marques nasceu em Lisboa, em 1949. Foi professor do ensino secundário e, depois, durante mais de duas décadas, investigador do Instituto de Investigação Científica Tropical e Presidente do Conselho Científico desse Instituto, em 2007-2008. Doutorado em História pela Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou durante a década de 1990, é autor de dezenas de artigos sobre temas de história colonial, e de vários livros, dois dos quais publicados em Nova Iorque e Oxford (The Sounds of Silence, 2006; e, em coautoria, Who Abolished Slavery? A debate with João Pedro Marques, 2010). Em 2010 publicou o seu primeiro romance, Os Dias da Febre, ao qual se seguiram, em 2012, Uma Fazenda em África (que, com várias edições, constituiu um dos grandes sucessos do ano), em 2014, O Estranho Caso de Sebastião Moncada, em 2015, Do Outro Lado do Mar, em 2017, Vento de Espanha e, em 2019, A Aluna Americana.



A Aluna Americana

Novembro de 1968. Usam-se cabelos compridos e cores garridas, a música pop enche o ar de sons novos e eletrizantes — os Beatles estão no auge —, e a França vai-se recompondo dos tumultos de maio. Os progressos científicos são palpáveis e quase diários. O Homem está a dois passos da Lua, Barnard fez os primeiros transplantes cardíacos e a chamada revolução sexual avança no mundo ocidental, graças à pílula e à liberalização dos costumes. Portugal, ainda apertado na dolorosa tenaz da guerra em África, deposita muitas esperanças na Primavera Marcelista e procura agarrar os ventos que sopram lá fora e que lhe chegam a conta-gotas, filtrados pela censura.

É nesse contexto e nesse novembro que, por mero acaso, o professor universitário José Duarte Cincinnato de Sousa conhece Isabel Botelho, uma estudante de Românicas acabada de chegar dos Estados Unidos da América.

A Aluna Americana é a história da relação entre ambos, uma história de afetos e sentimentos que nos faz frequentemente passar da desempoeirada amplidão dos mundos exteriores para a estreita pequenez de um Portugal fechado. De passagem em passagem, iremos vendo como um homem conservador vive os prazeres, as dores e os desafios da sua paixão por uma mulher mais nova, para a qual nada é sagrado, exceto, talvez, o amor.
Esta narrativa passa-se numa época na qual, como disse Paul Simon, a música fluía e impregnava a vida do dia a dia. 

«Como não poderia deixar de ser essa música está presente neste romance não apenas como uma ilustração daquele tempo, mas também como uma parte da narrativa porque cada canção que entra no texto tem uma ligação, um nexo, com segmentos específicos da história. Se Isabel, numa bancada do Candlestick Park, em São Francisco, canta, de lágrimas nos olhos, She’s a Woman em uníssono com os Beatles, é porque morre de saudade do seu amor desavindo e lhe quer pedir perdão. E se José Duarte se amargura sempre que ouve Et maintenant, de Gilbert Bécaud, é porque, com a partida de Isabel, a sua vida se tornou vazia e sem sentido. 

A playlist seguinte https://open.spotify.com/playlist/7B1JXDYiyA6k5oIBZIijeG comporta 28 músicas. 
Cada uma delas lembra ao leitor o som daquele período e transporta-o para um momento particular de uma extraordinária história de amor.» 

(in wookacontece)

O Leituras sugere...





...para julho


O novelo de emoções
Elizabete Neves



O novelo de emoções desenrola-se em torno de uma menina que não sabe o que se passa com ela, pois sente algo que não consegue explicar. O seu amigo Sukha,  através de um novelo de lã imaginário, constituído por cinco fios de cores diferentes, todos misturados, correspondendo cada um a uma emoção primária, vai demonstrar que o que ela sente são emoções. Com exemplos do seu dia a dia, Sukha vai ensinar Marta a reconhecer as emoções, que não são boas nem más, mas que nos transmitem sempre uma mensagem. Cabe a cada um de nós descobrir qual é!

Um livro cativante que ajuda a explicar, de forma simples, às crianças, aquilo que sentem e como o podem expressar.

Um poema...


CAFÉ ORFEU

Nunca tinha caído
de tamanha altura em mim
antes de ter subido
às alturas do teu sorriso.
Regressava do teu sorriso
como de uma súbita ausência
ou como se tivesse lá ficado
e outro é que tivesse regressado.
Fora do teu sorriso
a minha vida parecia
a vida de outra pessoa
que fora de mim a vivia.
E a que eu regressava lentamente
como se antes do teu sorriso
alguém (eu provavelmente)
nunca tivesse existido.

Manuel António Pina, Todas as Palavras

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Escritor do mês | junho

RAUL MINH'ALMA

(1992/)


«Muda, volta atrás, começa de novo, arrisca, perde, perde vezes sem conta, mas levanta-te e sorri, mesmo sem vontade, sorri.» 

RAUL MINH'ALMA

Nasceu em 1992, é natural do Marco de Canaveses, formado em Engenharia Mecânica na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Começou a escrever poesia com dezassete anos e em 2011 lança o seu primeiro livro de poemas com o título Desculpe Mãe. Na altura de dar um novo passo, começou a escrever prosa e editou em 2014 o seu primeiro romance, Os Mistérios de Santiago. Aos vinte e dois anos conclui o seu terceiro livro, uma coletânea de 500 frases que intitula de Fome, a sua primeira obra traduzida e publicada em Espanha. Ainda em 2015 edita, juntamente com mais oito autores, o livro Letras de Barriga Cheia, inserido num projeto social e cultural com o mesmo nome. Aos vinte e quatro anos, em 2016, escreve Larga Quem Não Te Agarra, um dos livros de ficção mais vendidos em Portugal e que chegou ao Brasil em 2017. No mesmo ano, lança Todos os Dias São para Sempre. Em 2018 edita Dá-me um Dia para Mudar a Tua Vida e Foi Sem Querer Que Te Quis, confirmando-se como um autor bestseller que conquistou os portugueses.


No dia em que a tua família deixar de estar em primeiro lugar na tua vida... Volta atrás, porque te enganaste no caminho.

Não te sintas perdido, quando o único remédio para a tua dor for o tempo, pois não encontrarás forma mais natural de a curar.

Façamos de um simples gesto uma obra de caridade e de um simples sorriso uma divina recompensa.

Raul Minh'alma