sexta-feira, 5 de maio de 2023

Escritor do mês | maio

 Sveva Casati Modignani

(1938/…)


Sveva Casati Modignani é um dos nomes mais amados da narrativa contemporânea: os seus romances estão traduzidos em vinte países e venderam mais de 12 milhões de exemplares. Já esteve algumas vezes em Portugal, inclusive na Feira do Livro de Lisboa em 2017. 

Na verdade, a autora chama-se Bice Cairati mas todos os seus leitores a conhecem por Sveva Casati Modignani, um pseudónimo que entrou nas livrarias em 1981, data em que lançou o seu primeiro livro. Um romance que surgiu após ter-se cansado da profissão de jornalista, quando ao fim de dois anos de inatividade profissional decidiu escrever um relato com as memórias da sua família. A autora vive desde sempre em Milão, na casa onde nasceu e que pertencia à sua avó.

“Cada livro meu é um confronto com o mundo feminino, o que sucede à minha volta, o que acontece à volta das mulheres. Agrada-me imaginar que para os homens as mulheres são muito difíceis de interpretar. Gosto de pensar que há leitores curiosos que se deixam fascinar por estes mistérios do universo feminino.”

Em Portugal estão editadas as seguintes obras: Feminino Singular, Baunilha e Chocolate, O Jogo da Verdade, Desesperadamente Giulia, O Esplendor da Vida, A Siciliana, Mister Gregory, A Viela da Duquesa, Um Dia Naquele Inverno, O Diabo e a Gemada (texto autobiográfico), O Barão, A Família Sogliano, 6 de Abril’96, A Vinha do Anjo, Como Vento Selvagem, O Regresso da Primavera, Lição de Tango, Como Estrelas Cadentes, Suite 405, Qualquer Coisa de Bom, Festa de Família, Uma chuva de Diamantes, O Falcão, A Cor da Paixão, O amor faz milagres e Caterina.






Temos vários livros da autora disponíveis na Biblioteca para empréstimo.
Visite-nos e Boas Leituras!

sexta-feira, 21 de abril de 2023

Dia Mundial do Livro | 23 de abril 2023


O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de abril.

​Esta data foi escolhida com base na lenda de São Jorge e o Dragão, adaptada para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge (Sant Jordi) e recebem, em troca, um livro, testemunho das aventuras do heroico cavaleiro.

Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare e Cervantes, falecidos em 1616, exatamente em abril.

Também a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, em 2023, presta homenagem a alguns autores portugueses, cujos centenários de nascimento se assinalam: Eduardo Lourenço (1923-2020), Eugénio de Andrade (1923-2005), Mário Cesariny (1923-2006), Mário-Henrique Leiria (1923-1980), Natália Correia (1923-1993) e Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013).

fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/noticiasEventos/Paginas/DML2023.aspx


Destacamos algumas obras disponíveis na nossa Biblioteca dos autores homenageados

Cruzeiro, Maria Manuela, ; Baptista, Maria Manuel, - Tempos de Eduardo Lourenço: fotobiografia. Porto : Campo das Letras, 2003. 



 




Costa, Ana Paula, - Natália Correia: fotobiografia. Lisboa : Dom Quixote, 2005. fot.. 









Correia, Natália ; Amaral, Fernando Pinto do - Antologia poética . 2.ª ed.  Lisboa : D. Quixote , 2003. 335 p. 











Andrade, Eugénio de, pseud. - Véspera da água. Porto : Assírio & Alvim , 2014. 84 p. 









Andrade, Eugénio de, pseud. - Primeiros poemas - As mãos e os frutos - Os amantes sem dinheiro . Porto : Assírio & Alvim , 2012. 111 p. 











Andrade, Eugénio de, pseud. ; Sousa, Aurélie de, - Aquela nuvem e outras. 2.ª ed.. Porto : Porto Editora, 2016. il. 24 p.








Boas Leituras!

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Escritor do mês | abril

 Hans Christian Andersen


Hans Christian Andersen, escritor dinamarquês, nasceu no dia 2 de abril de 1805 e faleceu em 1875, é o autor de contos de fadas mais conhecido mundialmente. Enquanto que as peças de teatro, romances, poemas, livros de viagens e muitas biografias que escreveu só são conhecidos na Dinamarca, os seus "Contos" (1835-1872) encontram-se traduzidos em muitas línguas. Entre os mais famosos destacam-se "O Patinho Feio", "A Sereiazinha" e "A Rainha da Neve".

Mas, Andersen escreveu mais de 156 contos de fadas, autobiografias, romances, peças de teatro, poesia, relatos de viagem. Toda a sua obra estava direcionada tanto para as crianças como para os adultos. As suas criações são ainda hoje fonte de inspiração e de novas reflexões.

Graças à sua contribuição para a literatura juvenil, a data de seu nascimento, 2 de abril, é o Dia Internacional do Livro Infantojuvenil. Além disso, o mais importante prémio internacional do género, o Prémio Hans Christian Andersen, tem seu nome.

Anualmente, a InternationalBoard on Books for Young People (IBBY) oferece a Medalha Hans Christian Andersen para os maiores nomes da literatura infantojuvenil.

H.C. Andersen era e continua a ser um poeta insuperável. A sua obra é fascinante pela abrangência e por ter sido traduzida em inúmeras línguas. Esta popularidade reflete a capacidade única da sua poesia evocar emoções profundas nos seus leitores, independentemente da idade, sexo ou cultura.

A sua produção literária composta de relatos de viagens, poemas, romances e dramas é, sem dúvida, notável pela prodigalidade e qualidade.

Obra

Entre os muitos contos de Andersen destacam-se:

  • ·         O Abeto
  • ·         O Patinho Feio
  • ·         O Tronco Voador
  • ·         A Caixa de Fósforos
  • ·         Os Sapatos Vermelhos
  • ·         O Soldadinho de Chumbo
  • ·         Os Cisnes Selvagens
  • ·         A Pequena Sereia
  • ·         O fato novo do Imperador
  • ·         A Princesa e a Ervilha
  • ·         O Rouxinol e o Imperador da China
  • ·         A Pequena Vendedora de Fósforos
  • ·         A Polegarzinha
  • ·         A Rainha da Neve
  • ·         A Pastora e o Limpa-chaminés





terça-feira, 4 de abril de 2023

Dia Internacional do Livro Infantil


 


Eu sou um livro, lê-me.                   por Vagelis Iliopoulus


Eu sou um livro. Tu és um livro.
Todos somos livros.

A minha alma é a história que conto. Todos os livros contam a sua história.

Podemos parecer muito diferentes - uns grandes, uns pequenos,
uns coloridos, uns a preto e branco,
uns com poucas páginas, outros com muitas.

Podemos dizer coisas parecidas ou completamente diferentes, é essa a nossa beleza.
Seria aborrecido sermos todos iguais.

Cada um de nós é único.
E cada um tem direito a ser respeitado, a ser lido sem preconceito,
a ter espaço na tua biblioteca.

Podes ter uma opinião sobre mim.
Podes querer questionar ou comentar o que lês.
Podes voltar a arrumar-me na prateleira
ou ficar comigo perto, a viajar durante muito tempo.

Mas nunca deixes que ninguém se livre de mim ou me mande para outra estante.
Nunca peças que me destruam, nem permitas que o façam.

E se outro livro chegar vindo de outra estante, porque algo ou alguém o afastou,
abre espaço.
Ele cabe junto a ti.

Tenta sentir o que ele sente. Compreendê-lo. Protegê-lo. Podes um dia estar no seu lugar.

Porque também tu és um livro. Somos todos livros.

Vá, di-lo bem alto para que todos te ouçam.
«Eu sou um livro, lê-me.»


Tradução de Ana Castro a partir do inglês

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Dia Internacional do Livro Infantil 2023

No dia 2 de abril, comemorou-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen.

A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.

Como é habitual, para assinalar este dia, a DGLAB disponibiliza um cartaz digital, da autoria da ilustradora Ana Ventura, vencedora do Prémio Nacional de Ilustração em 2022.

Também o IBBY internacional convida anualmente um país a dar o mote e a escrever um texto alusivo à literatura para a infância. Este ano da responsabilidade da Grécia, o texto é da autoria de Vagelis Iliopoulus e o cartaz de Photini Stephanidi.

O cartaz de Ana Ventura transmite a ideia que tem sido subjacente a este dia ao longo dos anos: um livro como raiz para a vida, que a alimenta e lhe dá os nutrientes para a diversidade, tal como as palavras dão vida aos sonhos de cada um.


Ana Ventura nasceu em Lisboa em 1972.

É ilustradora e artista plástica. Em 2000 licenciou-se em Pintura pela FBAUL, com especialização na tecnologia de Gravura. Em 1999 fez um Estágio de Gravura, Ilustração e Pintura, na École Supérieure d'Art Visuel La Cambre, Bruxelas.  

Vive e trabalha entre Antuérpia e Lisboa. Desenvolve o seu trabalho em diversos suportes, desde livros a serigrafias, postais, roupa e acessórios.

Tem ilustrações em livros de autores portugueses e estrangeiros publicados na Alemanha, Itália, Noruega e Portugal.

Em 2017, na Sérvia, recebeu o  Special Award – The 6th Book Illustration Festival “BookILL Fest” e em 2022, nos EUA, recebeu o Distinguished Merit 3×3 International Illustration Annual No.19.

Ainda em 2022 foi vencedora do Prémio Nacional de Ilustração com o livro Mudar, publicado pela Pato Lógico.

Fonte: https://livro.dglab.gov.pt/

O Leituras sugere...


 


...para abril

O homem que plantava árvores

Jean Giono


Inspirado em acontecimentos verdadeiros, traduzido em diversas línguas e largamente difundido pelo mundo inteiro, O Homem Que Plantava Árvores é uma história inesquecível sobre o poder que o ser humano tem de influenciar o mundo à sua volta.

Narra a vida de um homem e o seu esforço solitário, constante e paciente, para fazer do sítio onde vive um lugar especial.

Com as suas próprias mãos e uma generosidade sem limites, desconsiderando o tamanho dos obstáculos, faz, do nada, surgir uma floresta inteira - com um ecossistema rico e sustentável.

É um livro admirável que nos mostra como um homem humilde e insignificante aos olhos da sociedade, a viver longe do mundo e usando apenas os seus próprios meios, consegue reflorestar sozinho uma das regiões mais inóspitas e áridas de França.


Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura


Este livro está disponível na Biblioteca para empréstimo.

quarta-feira, 8 de março de 2023

Dia Internacional da Mulher

 


Em celebração do Dia Internacional da Mulher, deixamos aqui uma seleção de livros disponíveis na Biblioteca, sobre mulheres inspiradoras, algumas reais, outras personagens fictícias, que desafiaram obstáculos, expetativas e convenções e inspiraram leitores por todo o mundo. 

Como escreveu um dia Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher: torna-se”.

Faça uma visita à Biblioteca, requisite alguns destes livros e fique a conhecer as histórias destas mulheres extraordinárias!

 Mulheres livres – Maria de Belém Roseira

Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a votar em Portugal, obrigou o tempo a andar à frente do seu tempo. Marie Curie, duas vezes Prémio Nobel, tinha nas suas veias a sede do conhecimento.          A primeira mulher primeira-ministra do seu país, Benazir Bhutto, representou uma pedra no charco do mundo islâmico. A bailarina e coreógrafa Isadora Duncan e a pintora Frida Kahlo viveram a sua arte em total liberdade. Maria de Lourdes Pintasilgo, contra tudo e contra todos, ascendeu a um lugar nunca antes imaginado ser possível alcançar por uma mulher, o cargo de primeira ministra de Portugal, quebrando tabus instituídos. Eleanor Roosevelt imprimiu o seu nome na História universal. Simone Veil, sobrevivente do Holocausto, marcou a política francesa. Hannah Arendt, a provocadora filósofa política, inquietou mentes humanas. As escritoras vanguardistas Virginia Woolf e Simone de Beauvoir deixaram o seu marco na literatura. Dolores Ibárruri Gómez, La Pasionaria, sacrificou a sua vida em prol da luta por aquilo em que acreditava.

Maria de Belém Roseira conta-nos a história destas mulheres excecionais que, nas mais diferentes áreas, da ciência à literatura, da política à filosofia, lutaram pelos seus ideais, defenderam as suas ideias, ultrapassando com perseverança e resiliência os mais variados obstáculos. Desprenderam-se das amarras que tentavam silenciar a sua voz e calar a sua liberdade e não se deixaram influenciar pela crítica ou pelo preconceito das suas épocas, abrindo espaço ao progresso da sociedade.
Todas com uma coragem e determinação que fazem delas mulheres livres.

Mulheres Portuguesas: divas, santas e demónios, Maria João Martins




A Coleção "AS MULHERES E A REPÚBLICA" de Rosabela Afonso, é constituída por seis volumes, cada um aborda, de forma simples, resumida e ilustrada, a biografia de uma mulher que tenha contribuído de forma empenhada para os valores republicanos.
Aqui apresentamos, volume a volume, o percurso e os valores defendidos e praticados por mulheres tão diferentes como Carolina Beatriz Ângelo, Adelaide Cabete, Maria Veleda, Ana de Castro Osório, Angelina Vidal e Emília Sousa Costa, as quais estavam, afinal, unidas por uma preocupação comum - a busca de um mundo novo e melhor, a procura de um caminho para a felicidade.


Convictas de que o conhecimento e a cultura eram o caminho certo para a felicidade e sabendo que o futuro está nas crianças e que as mulheres, enquanto educadoras, têm uma responsabilidade acrescida no modo como transmitem saberes e valores, é sobre estes, mulheres e crianças, que dedicam toda a sua atenção e preocupação. Sempre na tentativa de promover um mundo mais justo e equitativo, o qual acreditavam viria com a República.

Mariposa, Yusra Mardini  

Yusra Mardini abandonou a Síria em 2015, com apenas 17 anos, depois de uma bomba destruir o telhado da piscina onde costumava treinar. Juntamente com a irmã mais velha, embarcou num bote sobrelotado de refugiados em direção à costa da Turquia. Quando a embarcação se começou a afundar, Yusra tomou uma decisão arrojada que mudou a sua vida e salvou os restantes passageiros: atirou-se ao mar para fazer avançar o bote até à costa de Lesbos.

A viagem durou várias horas. Mariposa conta a história da jovem Yusra, da Síria devastada pela guerra até aos jogos olímpicos no Rio de Janeiro, onde competiu na recém-formada Equipa Olímpica de Refugiados e realizou o seu sonho de se tornar nadadora olímpica. Ao contar a sua história, a jovem demonstra-nos que os refugiados são pessoas comuns em circunstâncias extraordinárias, que fogem das suas casas para não morrerem dentro delas.


O Diário de Anne Frank – Diário Gráfico, Ari Folman, David Polonsky e Anne Frank


Escrito entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, O Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, revelando ao mundo o dia a dia de dois longos anos de uma adolescente forçada a esconder-se, juntamente com a sua família e um grupo de outros judeus, durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão.

Todos os que se encontravam naquele pequeno anexo secreto acabaram por ser presos em agosto de 1944, e em março de 1945 Anne Frank morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, a escassos dois meses do final da guerra na Europa. O seu diário tornar-se-ia um dos livros de não ficção mais lidos em todo o mundo, testemunho incomparável do terror da guerra e do fulgor do espírito humano.

Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes, Elena Favilli e Francesca Cavallo


Com estas histórias de adormecer para raparigas rebeldes, as raparigas mais apaixonadas, independentes e decididas poderão adormecer embaladas pelas histórias de vida inspiradoras de 100 mulheres que mudaram o mundo. Com a sua inteligência e determinação, estas mulheres extraordinárias ficaram na história da Humanidade por terem tido a audácia de sonharem com um mundo onde o género não define fronteiras e onde ser mulher é ter uma voz e a força necessária para a erguer.
Do talento de Frida Kahlo à liderança de Cleópatra, passando pelo activismo de Malala e pelo génio visionário de Ada Lovelace, estas são as vidas que entusiasmam raparigas no mundo inteiro e nos reforçam a esperança num mundo mais justo, igualitário e belo.


Jane Eyre, Charlotte Brontë

Jane Eyre, pobre e órfã, cresceu em casa da sua tia, onde a solidão e a crueldade imperavam, e depois numa escola de caridade com um regime severo. Esta infância fortaleceu, no entanto, o seu carácter independente, que se revela crucial ao ocupar o lugar de preceptora em Thornfield Hall. Mas, quando se apaixona por Mr. Rochester, o seu patrão, um homem de grande ironia e algum cinismo, a descoberta de um dos seus segredos força-a a uma opção. Deverá ficar com ele e viver com as consequências, ou seguir as suas convicções, mesmo que para tal tenha de abandonar o homem que ama? 

Publicado em 1847, “Jane Eyre” chocou inúmeros leitores da Inglaterra vitoriana com a apaixonada e intensa busca de uma mulher pela igualdade e a liberdade.

Mulherzinhas, Louisa May Alcott


As irmãs Meg, Jo, Beth e Amy passam por um período difícil depois de verem o pai partir para a guerra e de se confrontarem com problemas económicos inesperados. No entanto, a união familiar e o espírito lutador que conseguem manter juntamente com a mãe ajudam-nas a ultrapassar todas as dificuldades. Quer em casa quer nas relações com os amigos e vizinhos, conseguem surpreender e continuar a ser fiéis aos seus sonhos, vivendo todos os dias com esperança e boa disposição. 
Um livro que nos dá o retrato de uma família de classe média americana do seu tempo, sublinhando os seus principais valores morais, e em que o amor e a coragem se revelam mais fortes do que todas as dificuldades.


terça-feira, 7 de março de 2023

Escritor do mês | março

 Florbela Espanca

(1834/1930)


Florbela Espanca, poetisa portuguesa, natural de Vila Viçosa (Alentejo).       

Nasceu filha ilegítima de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo, criada de servir (como se dizia na época), que morreu com apenas 36 anos, «de uma doença que ninguém entendeu», mas que veio designada na certidão de óbito como nevrose. Registada como filha de pai incógnito, foi, todavia, educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira. Note-se, como curiosidade, que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa, por altura da inauguração do seu busto, em Évora, e por insistência de um grupo de florbelianos, a perfilhou.

Estudou no liceu de Évora, mas só depois do seu casamento (1913) com Alberto Moutinho concluiu, em 1917, a secção de Letras do Curso dos Liceus. Em outubro desse mesmo ano matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que passou a frequentar. Na capital, contactou com outros poetas da época e com o grupo de mulheres escritoras que então procurava impor-se. Colaborou em jornais e revistas, entre os quais o Portugal Feminino. Em 1919, quando frequentava o terceiro ano de Direito, publicou a sua primeira obra poética, Livro de Mágoas. Em 1921, divorciou-se de Alberto Moutinho, de quem vivia separada havia alguns anos, e voltou a casar, no Porto, com o oficial de artilharia António Guimarães. Em 1923, publicou o Livro de Sóror Saudade. Em 1925, Florbela casou-se, pela terceira vez, com o médico Mário Laje, em Matosinhos.

Os casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas, em geral, e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem Florbela estava ligada por fortes laços afetivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra. Em dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde, sobretudo de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos, tendo sido apresentada como causa da morte, oficialmente, um «edema pulmonar».

A poesia de Florbela caracteriza-se pela recorrência dos temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito. A veemência passional   da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico. Simultaneamente, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas, transbordando a convulsão interior da poetisa para a natureza.

Florbela Espanca não se ligou claramente a qualquer movimento literário. Está mais perto do neo-romantismo e de certos poetas de fim-de-século, portugueses e estrangeiros, que da revolução dos modernistas, a que foi alheia. Pelo carácter confessional, sentimental, da sua poesia, segue a linha de António Nobre, facto reconhecido pela poetisa. Por outro lado, a técnica do soneto, que a celebrizou, é, sobretudo, influência de Antero de Quental e, mais longinquamente, de Camões.

Poetisa de excessos, cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina (em que alguns críticos encontram dom-joanismo no feminino). A sua poesia, mesmo pecando por vezes por algum convencionalismo, tem suscitado interesse contínuo de leitores e investigadores. É tida como a grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX.

 

OBRA

Postumamente foram publicadas as obras Charneca em Flor (1930), Cartas de Florbela Espanca, por Guido Battelli (1930), Juvenília (1930), As Marcas do Destino (1931, contos), Cartas de Florbela Espanca, por Azinhal Botelho e José Emídio Amaro (1949) e Diário do Último Ano Seguido De Um Poema Sem Título, com prefácio de Natália Correia (1981). O livro de contos Dominó Preto ou Dominó Negro, várias vezes anunciado (1931, 1967), seria publicado em 1982.

 

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que a minha boca tem pra te dizer!

São talhados em mármore de Paros

Cinzelados por mim pra te oferecer.

 

Têm dolência de veludos caros,

São como sedas pálidas a arder...

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que foram feitos pra te endoidecer!

 

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...

Que a boca da mulher é sempre linda

Se dentro guarda um verso que não diz!

 

Amo-te tanto! E nunca te beijei...

E nesse beijo, Amor, que eu te não dei

Guardo os versos mais lindos que te fiz!

 

Florbela Espanca

sexta-feira, 3 de março de 2023

O Leituras sugere...

 



...para março


O filme da minha vida

Maite Carranza


Olívia é uma rapariga inteligente e sensível. Mora em Barcelona com a mãe Íngrid, atriz, e com o irmão Tim, mais novo do que ela. Olívia estuda numa escola particular e vive num bairro tranquilo no centro da cidade.

Um dia, a crise que se vive por todo o país chega à casa de Olívia, e tudo se desmorona. Íngrid não consegue arranjar trabalho, as faturas acumulam-se, a luz é cortada e a despensa está cada vez mais vazia. Não tarda até que Olívia e a sua família sejam obrigados a mudar de casa e de vida.

Para proteger o irmão da situação em que se encontram a viver, Olívia inventa um jogo, e convence-o de que estão a atuar num filme secreto e de que nada do que se passa é real.

Num prédio cheio de okupas desconhecidos e num bairro que tem tudo para ser assustador, Olívia depressa descobre que a vida está cheia de desafios difíceis, mas também de bons recomeços.

Este livro conta uma história atual sobre a importância da família, da entreajuda e da esperança.


Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura


Este livro está disponível na Biblioteca para empréstimo.