quarta-feira, 17 de maio de 2017

Escritor do mês | maio

ISABEL STILWELL

(1960-)


Filha de Francis Bartholomew Stilwell  e de  Pamela Mary Fitzherbert-Brockholes, Isabel Stilwell nasceu em Lisboa a 8 de maio de 1960. É jornalista e escritora.

Colaborou com o Diário de Notícias, onde começou aos 21 anos. Fundou e dirigiu a revista Pais & Filhos, foi diretora da revista Notícias Magazine durante 13 anos e diretora do jornal Destak até ao final do ano de 2012, e manteve, durante mais de dois anos, todos os sábados, uma crónica no jornal i, entre muitos outros projetos. Mantém uma crónica, às terças, no Jornal de Negócios, sobre os mais diversos tópicos da atualidade. Escreve, também, para a revista Máxima, tendo uma das suas peças sobre a adoção em Portugal ("Não amam nem deixam amar", em conjunto com a jornalista Carla Marina Mendes) sido distinguida com o 1º Prémio de jornalismo “Os Direitos da Criança em Notícia”. Continua a colaborar mensalmente com a revista Pais e Filhos, e mantém diariamente os "Dias do Avesso", uma conversa com Eduardo Sá, na Antena 1.

Tem escrito, também, vários livros de ficção, contos e histórias para crianças, mas a sua grande paixão por romances históricos revelou-se em 2007, com o bestseller "Filipa de Lencastre", a que se seguiram "Catarina de Bragança" e "D. Amélia", com crescente sucesso. Em abril de 2012, foi a vez de "D. Maria II", que vendeu mais de 45 mil exemplares, e mereceu uma edição especial para o mercado brasileiro. Em outubro de 2013 lança um novo romance histórico intitulado " Isabel de Borgonha, Ínclita Geração", sobre a vida da filha de D. Filipa de Lencastre, e em maio de 2015 publica um livro sobre a mãe do nosso primeiro rei, "D. Teresa". Em julho de 2015 viu traduzido para inglês o seu primeiro romance histórico, "Philippa of Lancaster - English Princess, Queen of Portugal".

Acaba de publicar o seu último romance “Isabel de Aragão – Entre o Céu e o Inferno”.

Literatura infantil
·        As Melhores Histórias para contar em minuto e meio (2015, Verso de Kapa)
·        Histórias para os avós lerem aos netos + Audiolivro (2013, Verso de Kapa)
·        Pack Histórias Minuto e Meio 3 + Quem tem medo do Lobo Mau (2011, Verso de  Kapa)
·        Pack Histórias Minuto e Meio 2 + Quem tem medo do Lobo Mau (2011, Verso de Kapa)
·        Pack Histórias Minuto e Meio 1 + Quem tem medo do Lobo Mau (2011, Verso de Kapa)
·        Quem tem medo do Lobo Mau? (2010, Verso de Kapa)
·        Histórias para contar em Minuto e Meio 1, 2 E 3 (2010, Verso de Kapa)
·        Aventuras para contar em 1 minuto e meio (2007, Verso de Kapa)

História
·        Isabel de Aragão (2017, Manuscrito Editora)
·        D. Teresa (2015, Manuscrito Editora)
·        Ínclita Geração (2013, A Esfera dos Livros)
·        D. Maria II - Tudo por um reino (2012, A Esfera dos Livros)
·        D. Amélia (2010, A Esfera dos Livros)
·        Catarina de Bragança (2008, A Esfera dos Livros)
·        Filipa de Lencastre (2007, A Esfera dos Livros)

Outros
·        Os dias de uma mãe que não é perfeita (2014, Livros Horizonte)
·        As mães têm de ser chatas (2013, Verso de Kapa)
·        Os dias do avesso (2011, Dom Quixote)
·        245,57 Euros de Telefone (2004, Texto Editores)
·        É Meia-Noite, chove e ela não está em casa (2004, Texto Editores)
·        Quer um filho melhor por este preço? (2003, Texto Editores)
·        Um romance de amor (2001, Editorial Notícias)
·        49233$00 de Telefone (2001, Texto Editores)
·        Guia para ficar a saber ainda menos sobre as mulheres (2001, A Esfera dos Livros)
·        Como eu dei com o meu psiquiatra em louco (2000, Editorial Notícias)


Guia para aguentar as férias

Escrevo este texto sentada no sofá, numa casa em divinal silêncio. Gozo as férias antes das “férias”. A vida ensina-nos muito!



Adoramos enganar-nos a nós mesmos, ano após ano, sem aprender a lição. E quanto mais glamorosas são as férias nas páginas dos catálogos e das revistas, mais altas as expectativas. Mas nestas coisas nem é preciso esperar pelo fim do mês pela factura, porque os pagamentos por conta começam logo no primeiro dia. Felizmente há pessoas bondosas como eu, prontas a partilhar o que foram vendo e ouvindo com outras mulheres. Desculpem, hoje esta crónica é só para elas.

Descanse antes de partir – Se o seu marido lhe perguntar porque é que tirou dois dias, antes da data de partirem para férias e enquanto as crianças ainda estão com os avós, minta! Fale na necessidade de deixar a casa arrumada, invoque a lista de espera no cabeleireiro, qualquer coisa, mas não lhe confesse que o que está a fazer é a gozar férias. As únicas que provavelmente vai ter.

Os maridos das outras são... – Ponha a tocar a canção do Miguel Araújo e modele as expectativas ao seu marido de carne e osso. Durante o ano lectivo, o tempo de convivência familiar é limitado. Coisa diferente é a versão de 24 horas sobre 24 horas, em que a mania que no dia-a-dia já irrita um bocadinho se pode transformar rapidamente num Adamastor. Some a isto sonhos irrealistas, como que ele vai trocar a corrida, o telemóvel, a conversa com os amigos por si, ou espere que seja você a fazer a troca, e é fácil antever desilusão e lágrimas. Por isso, o melhor é conferirem objectivos antes de partirem, porque se fica à espera que tudo se concilie por obra e graça do Espírito Santo, a coisa acaba mal. A irritabilidade, ainda por cima, é potenciada pelo calor, e quando der por isso está a dizer verdades irremediáveis. (…)

Os filhos das outras são... – Idealizar as férias com os nossos filhos é um erro grave. Imaginamos que vamos finalmente gozá-los, compensá-los pelo tempo que não estivemos com eles. Juramos a nós mesmas que não nos faltará nem paciência nem engenho para dar a volta às birras ou inventar programas arrebatadores. E depois, bang, logo no primeiro dia, ela faz uma gritaria que se ouve na rua porque odeia o fato-de--banho, e ele vira o prato dos cereais pelo chão da cozinha (onde raio está a esfregona nesta casa?), não param quietos à mesa da esplanada e respondem torto por dá cá aquela palha. (…)

Tinha mais umas ideias, mas decididamente não quero estragar-lhe as férias. Por isso, até para a semana!

Isabel Stilwell, jornal i, 2015/08/01

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Dia Mundial do Livro 2017

No dia 22 de abril, pelas 15h30m, a Biblioteca da Fundação A LORD recebeu os seus convidados para mais uma comemoração do Dia Mundial do Livro.


A abrir a sessão, apresentou-se o Grupo LORDator Juvenil que levou à cena os textos João Pateta de Hans Christian Andersen e Pedro das malasartes, a partir da versão de Luísa Ducla Soares.







Depois deste momento de teatro bem divertido, usou da palavra o Presidente da Fundação A LORD, Dr. Francisco Leal, para anunciar e entregar os Prémios de Mérito Escolar atribuídos aos alunos do Agrupamento de Escolas de Lordelo que, no ano letivo 2015/2016, integraram o Quadro de Mérito e Excelência, ato em que foi acompanhado pela Diretora deste Agrupamento, Dr.ª Beatriz Castro.




Finalmente, o Dr. Francisco Leal anunciou o Prémio Distinção A LORD, que visa distinguir os lordelenses que se destaquem pelo mérito do seu trabalho. Este ano, recebeu este prémio a Dr.ª Cecília Leal pelo trabalho desenvolvido na área da investigação científica.  


sexta-feira, 5 de maio de 2017

DIA DA MÃE | 7 de maio



MINHA MÃE QUE NÃO TENHO

Minha mãe que não tenho meu lençol
de linho de carinho de distância
água memória viva do retrato
que às vezes mata a sede da infância.

Ai água que não bebo em vez do fel
que a pouco e pouco me atormenta a língua.
Ai fonte que eu não oiço ai mãe ai mel
da flor do corpo que me traz à míngua.

De que Egito vieste? De qual Ganges?
De qual pai tão distante me pariste
minha mãe minha dívida de sangue
minha razão de ser violento e triste.

Minha mãe que não tenho minha força
sumo da fúria que fechei por dentro
serás sibila virgem buda corça
ou apenas um mundo em que não entro?

Minha mãe que não tenho inventa-me primeiro:
constrói a casa a lenha e o jardim
e deixa que o teu fumo que o teu cheiro
te façam conceber dentro de mim.


Ary dos Santos, in 'Antologia Poética'



PARA SEMPRE

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, in "Lição de Coisas"


O Leituras sugere...







...para maio 


Somos Amigos?
Anabel Fernández Rey


«— Não quero comer legumes. Tu, que és tão comilão, ajudas-me? / — Quero chegar muito alto. Tu, que tens tanta força, ajudas-me?»

Dirigido a pré-leitores e primeiros leitores, Somos amigos? é um livro que aborda a construção da amizade entre um menino e um urso: duas personagens à partida muito diferentes, mas que irão complementar-se ao ajudarem-se mutuamente.

A autora e ilustradora colabora em programas onde a educação, a comunicação e a expressão artística envolvem crianças.

Somos amigos? recebeu a menção honrosa do VII Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados.

TEATRO de FANTOCHES

2, 9 E 16 maio | 10H30

Depressa e bem não há quem!

Coleção provérbios de sempre


HISTÓRIAS de ENCANTAR

4, 11 e 18 Maio | 10h30

Quem vem à festa do martim?

David Melling


quarta-feira, 12 de abril de 2017

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL

No dia 4 de abril, a nossa hora do conto foi dedicada aos meninos do 1º ano da EB de Freamunde.

Numa sessão diferente, porque uma história não se conta apenas por palavras, mas também pela força sugestiva das imagens, tivemos como convidada a ilustradora Carla Anjos que explicou as várias etapas do seu trabalho, as técnicas utilizadas na criação das ilustrações e a sua importância na narração de uma história.




A Biblioteca ofereceu aos participantes “A sopa da pedra”, o trabalho mais recente da ilustradora, com texto de Miguel Borges. 



Escritor do mês | abril

JOSÉ CARDOSO PIRES
(1925/1998)


José Augusto Neves Cardoso Pires nasce a 2 de outubro de 1925, na aldeia de Peso, no distrito de Castelo Branco, mas vai para Lisboa com poucos meses de idade. Fixa residência naquela cidade, onde morre a 26 de outubro de 1998. É reconhecido como um dos mais importantes escritores portugueses da segunda metade de século XX.

Exerceu várias profissões, entre as quais, redator de uma revista feminina, Eva, em finais dos anos 40. Em 1949, publica o seu primeiro livro, "Os Caminheiros e Outros Contos", retirado de circulação pela censura. Nos princípios dos anos 50, foi detido pela PIDE depois da apreensão do seu livro de contos "Histórias de Amor". Nos anos 60 foi membro da Sociedade Portuguesa de Escritores. Em 1963 publica "Hóspede de Job", livro dedicado ao seu irmão, morto enquanto cumpria o serviço militar nos anos 50, e que lhe valeu o Prémio Camilo Castelo Branco em 1964; e "O Delfim" em 1968, romance geralmente considerado a sua obra-prima. Em inícios dos anos 70, foi professor de Literatura Portuguesa e Brasileira em Inglaterra, no King's College da Universidade de Londres.

Nos anos 80, publica mais dois romances singulares. São Balada da Praia dos Cães (1982), romance que lhe valeu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores e que foi alvo da realização de um filme, com o mesmo nome, de José Fonseca e Costa, em 1987, e Alexandra Alpha (1987) obra que mereceu o Prémio Especial da Associação de Críticos, de São Paulo, no Brasil. "O primeiro reconstitui, de forma inovadora e plurifacetada, o crime da Praia do Guincho, ocorrido na realidade em 1960, mas perspetivado, neste romance, como fazendo parte de um passado social e político. O segundo é o único, nesta obra, que representa o Portugal pós-1974, vendo nele toda a violência do conflito político e económico dos primeiros tempos da revolução." (Cabral, Eunice, cvc.instituto-camoes.pt)

A sua última obra mais importante é De profundis, Valsa Lenta (1997), relato do acidente vascular cerebral que o atingiu em 1995, que é apresentado pelo autor como uma “viagem à desmemória” e pela qual recebeu dois prémios: Prémio D. Dinis e Prémio da Crítica, atribuído pela Associação Internacional de Críticos Literários. É a única narrativa da sua obra que pode ser considerada autobiográfica.

Recebeu também o Prémio Internacional União Latina (1991), o Astrolábio de Ouro do Prémio Internacional Último Novecento (1992) e o Prémio Pessoa (1997). Em 1998 sofreu outro acidente vascular cerebral, que viria a ser a causa da sua morte. Em setembro desse mesmo ano foi-lhe atribuído o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.

José Cardoso Pires tem 18 obras publicadas, abrangendo os estilos de crónica, romance, teatro, ensaio, conto, fábula e "memória".

O seu trajeto pessoal e a sua carreira de escritor são marcados pela inquietação e pela deambulação. Não se identifica com nenhum grupo, nem se fixa em nenhum género literário, apesar de ser considerado sobretudo como um romancista. 

A relação mais consistente e duradoura, no campo literário, deu-se com o movimento neorrealista português até ao 25 de Abril de 1974, não por razões estéticas, mas, sobretudo, pela adesão a uma política de resistência ao regime autoritário português. O traço distintivo, que mantém até às últimas obras, é o respeitante ao compromisso da literatura com a realidade sua contemporânea. 


BIBLIOGRAFIA
Os Caminheiros e Outros Contos (1949). Histórias de Amor (1952). O Anjo Ancorado (1958). O Render dos Heróis (1960). Cartilha do Marialva (1960).
Jogos de Azar (1963). O Hóspede de Job (1963). O Delfim (1968). Dinossauro Excelentíssimo (1972). E agora, José? (1977). O Burro-em-Pé (1979). Corpo-Delito na Sala de Espelhos (1980). Balada da Praia dos Cães (1982). Alexandra Alpha (1987). A República dos Corvos (1988). A cavalo no Diabo (1994). De profundis, Valsa Lenta (1997). Lisboa – Livro de Bordo (1997). 

"Baixo a vidraça, mas, ouvindo através dela a balbúrdia da rua, preparo-me para uma noite difícil. Enquanto não adormecer vou pensar certamente no tema «Toda a festa é uma demonstração de poder», e daí sairá um caudal de lembranças nocturnas – Regedor, política, cosmonautas, amor, coisas boas. De raciocínio em raciocínio irei longe, darei voltas para chegar a casa do Engenheiro conquistada pelas lagartixas, que são para mim, o tempo (português) da História. Ficarei um instante parado, à sombra. Descerei o vale por cima de uma cama de fetos, aproximando-me em sonhos da lagoa, com as suas águas tristes, sua solidão, seus segredos... até que ao primeiro tiro da madrugada se levantarão os patos de asa crespa numa esfera de som e de poalha de luz."

PIRES, José Cardoso, O Delfim, 15.ª edição, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1997, 227 p., pp. 168-169


quarta-feira, 5 de abril de 2017

O Leituras sugere...







....para abril 


O Estranhão

ÁLVARO MAGALHÃES


Fred, o Estranhão, é um rapaz de 11 anos, com um Q.I. acima da média, que conta a sua estranha vida (a família, a escola, os amigos, os amores), com palavras e desenhos, enquanto reflete sobre tudo o que o rodeia.
O seu grande desafio é viver uma vida normal, sem sobressaltos, e chega a fingir que é estúpido para não ser incomodado pelos que fingem ser inteligentes. Mas isso não é tarefa fácil para um Estranhão.
Um livro cheio de humor e de peripécias divertidas!
Requisita-o na Biblioteca e, se gostares, há mais títulos desta coleção à tua espera.
Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura.