quarta-feira, 10 de maio de 2017

Dia Mundial do Livro 2017

No dia 22 de abril, pelas 15h30m, a Biblioteca da Fundação A LORD recebeu os seus convidados para mais uma comemoração do Dia Mundial do Livro.


A abrir a sessão, apresentou-se o Grupo LORDator Juvenil que levou à cena os textos João Pateta de Hans Christian Andersen e Pedro das malasartes, a partir da versão de Luísa Ducla Soares.







Depois deste momento de teatro bem divertido, usou da palavra o Presidente da Fundação A LORD, Dr. Francisco Leal, para anunciar e entregar os Prémios de Mérito Escolar atribuídos aos alunos do Agrupamento de Escolas de Lordelo que, no ano letivo 2015/2016, integraram o Quadro de Mérito e Excelência, ato em que foi acompanhado pela Diretora deste Agrupamento, Dr.ª Beatriz Castro.




Finalmente, o Dr. Francisco Leal anunciou o Prémio Distinção A LORD, que visa distinguir os lordelenses que se destaquem pelo mérito do seu trabalho. Este ano, recebeu este prémio a Dr.ª Cecília Leal pelo trabalho desenvolvido na área da investigação científica.  


sexta-feira, 5 de maio de 2017

DIA DA MÃE | 7 de maio



MINHA MÃE QUE NÃO TENHO

Minha mãe que não tenho meu lençol
de linho de carinho de distância
água memória viva do retrato
que às vezes mata a sede da infância.

Ai água que não bebo em vez do fel
que a pouco e pouco me atormenta a língua.
Ai fonte que eu não oiço ai mãe ai mel
da flor do corpo que me traz à míngua.

De que Egito vieste? De qual Ganges?
De qual pai tão distante me pariste
minha mãe minha dívida de sangue
minha razão de ser violento e triste.

Minha mãe que não tenho minha força
sumo da fúria que fechei por dentro
serás sibila virgem buda corça
ou apenas um mundo em que não entro?

Minha mãe que não tenho inventa-me primeiro:
constrói a casa a lenha e o jardim
e deixa que o teu fumo que o teu cheiro
te façam conceber dentro de mim.


Ary dos Santos, in 'Antologia Poética'



PARA SEMPRE

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, in "Lição de Coisas"


O Leituras sugere...







...para maio 


Somos Amigos?
Anabel Fernández Rey


«— Não quero comer legumes. Tu, que és tão comilão, ajudas-me? / — Quero chegar muito alto. Tu, que tens tanta força, ajudas-me?»

Dirigido a pré-leitores e primeiros leitores, Somos amigos? é um livro que aborda a construção da amizade entre um menino e um urso: duas personagens à partida muito diferentes, mas que irão complementar-se ao ajudarem-se mutuamente.

A autora e ilustradora colabora em programas onde a educação, a comunicação e a expressão artística envolvem crianças.

Somos amigos? recebeu a menção honrosa do VII Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados.

TEATRO de FANTOCHES

2, 9 E 16 maio | 10H30

Depressa e bem não há quem!

Coleção provérbios de sempre


HISTÓRIAS de ENCANTAR

4, 11 e 18 Maio | 10h30

Quem vem à festa do martim?

David Melling


quarta-feira, 12 de abril de 2017

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL

No dia 4 de abril, a nossa hora do conto foi dedicada aos meninos do 1º ano da EB de Freamunde.

Numa sessão diferente, porque uma história não se conta apenas por palavras, mas também pela força sugestiva das imagens, tivemos como convidada a ilustradora Carla Anjos que explicou as várias etapas do seu trabalho, as técnicas utilizadas na criação das ilustrações e a sua importância na narração de uma história.




A Biblioteca ofereceu aos participantes “A sopa da pedra”, o trabalho mais recente da ilustradora, com texto de Miguel Borges. 



Escritor do mês | abril

JOSÉ CARDOSO PIRES
(1925/1998)


José Augusto Neves Cardoso Pires nasce a 2 de outubro de 1925, na aldeia de Peso, no distrito de Castelo Branco, mas vai para Lisboa com poucos meses de idade. Fixa residência naquela cidade, onde morre a 26 de outubro de 1998. É reconhecido como um dos mais importantes escritores portugueses da segunda metade de século XX.

Exerceu várias profissões, entre as quais, redator de uma revista feminina, Eva, em finais dos anos 40. Em 1949, publica o seu primeiro livro, "Os Caminheiros e Outros Contos", retirado de circulação pela censura. Nos princípios dos anos 50, foi detido pela PIDE depois da apreensão do seu livro de contos "Histórias de Amor". Nos anos 60 foi membro da Sociedade Portuguesa de Escritores. Em 1963 publica "Hóspede de Job", livro dedicado ao seu irmão, morto enquanto cumpria o serviço militar nos anos 50, e que lhe valeu o Prémio Camilo Castelo Branco em 1964; e "O Delfim" em 1968, romance geralmente considerado a sua obra-prima. Em inícios dos anos 70, foi professor de Literatura Portuguesa e Brasileira em Inglaterra, no King's College da Universidade de Londres.

Nos anos 80, publica mais dois romances singulares. São Balada da Praia dos Cães (1982), romance que lhe valeu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores e que foi alvo da realização de um filme, com o mesmo nome, de José Fonseca e Costa, em 1987, e Alexandra Alpha (1987) obra que mereceu o Prémio Especial da Associação de Críticos, de São Paulo, no Brasil. "O primeiro reconstitui, de forma inovadora e plurifacetada, o crime da Praia do Guincho, ocorrido na realidade em 1960, mas perspetivado, neste romance, como fazendo parte de um passado social e político. O segundo é o único, nesta obra, que representa o Portugal pós-1974, vendo nele toda a violência do conflito político e económico dos primeiros tempos da revolução." (Cabral, Eunice, cvc.instituto-camoes.pt)

A sua última obra mais importante é De profundis, Valsa Lenta (1997), relato do acidente vascular cerebral que o atingiu em 1995, que é apresentado pelo autor como uma “viagem à desmemória” e pela qual recebeu dois prémios: Prémio D. Dinis e Prémio da Crítica, atribuído pela Associação Internacional de Críticos Literários. É a única narrativa da sua obra que pode ser considerada autobiográfica.

Recebeu também o Prémio Internacional União Latina (1991), o Astrolábio de Ouro do Prémio Internacional Último Novecento (1992) e o Prémio Pessoa (1997). Em 1998 sofreu outro acidente vascular cerebral, que viria a ser a causa da sua morte. Em setembro desse mesmo ano foi-lhe atribuído o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.

José Cardoso Pires tem 18 obras publicadas, abrangendo os estilos de crónica, romance, teatro, ensaio, conto, fábula e "memória".

O seu trajeto pessoal e a sua carreira de escritor são marcados pela inquietação e pela deambulação. Não se identifica com nenhum grupo, nem se fixa em nenhum género literário, apesar de ser considerado sobretudo como um romancista. 

A relação mais consistente e duradoura, no campo literário, deu-se com o movimento neorrealista português até ao 25 de Abril de 1974, não por razões estéticas, mas, sobretudo, pela adesão a uma política de resistência ao regime autoritário português. O traço distintivo, que mantém até às últimas obras, é o respeitante ao compromisso da literatura com a realidade sua contemporânea. 


BIBLIOGRAFIA
Os Caminheiros e Outros Contos (1949). Histórias de Amor (1952). O Anjo Ancorado (1958). O Render dos Heróis (1960). Cartilha do Marialva (1960).
Jogos de Azar (1963). O Hóspede de Job (1963). O Delfim (1968). Dinossauro Excelentíssimo (1972). E agora, José? (1977). O Burro-em-Pé (1979). Corpo-Delito na Sala de Espelhos (1980). Balada da Praia dos Cães (1982). Alexandra Alpha (1987). A República dos Corvos (1988). A cavalo no Diabo (1994). De profundis, Valsa Lenta (1997). Lisboa – Livro de Bordo (1997). 

"Baixo a vidraça, mas, ouvindo através dela a balbúrdia da rua, preparo-me para uma noite difícil. Enquanto não adormecer vou pensar certamente no tema «Toda a festa é uma demonstração de poder», e daí sairá um caudal de lembranças nocturnas – Regedor, política, cosmonautas, amor, coisas boas. De raciocínio em raciocínio irei longe, darei voltas para chegar a casa do Engenheiro conquistada pelas lagartixas, que são para mim, o tempo (português) da História. Ficarei um instante parado, à sombra. Descerei o vale por cima de uma cama de fetos, aproximando-me em sonhos da lagoa, com as suas águas tristes, sua solidão, seus segredos... até que ao primeiro tiro da madrugada se levantarão os patos de asa crespa numa esfera de som e de poalha de luz."

PIRES, José Cardoso, O Delfim, 15.ª edição, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1997, 227 p., pp. 168-169


quarta-feira, 5 de abril de 2017

O Leituras sugere...







....para abril 


O Estranhão

ÁLVARO MAGALHÃES


Fred, o Estranhão, é um rapaz de 11 anos, com um Q.I. acima da média, que conta a sua estranha vida (a família, a escola, os amigos, os amores), com palavras e desenhos, enquanto reflete sobre tudo o que o rodeia.
O seu grande desafio é viver uma vida normal, sem sobressaltos, e chega a fingir que é estúpido para não ser incomodado pelos que fingem ser inteligentes. Mas isso não é tarefa fácil para um Estranhão.
Um livro cheio de humor e de peripécias divertidas!
Requisita-o na Biblioteca e, se gostares, há mais títulos desta coleção à tua espera.
Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura.

Um poema...

Chegam cedo demais, quando ainda não podem escolher 
nem decidir. Vêm carregados de espectros, de memórias
e de feridas que não souberam sarar; mas trazem a confiança
da cura nas palavras. Convencem-se de que amam outra vez

quando nos tocam os pequenos lugares, esquecendo-se do rumo
incerto dos seus passos nas estradas tortuosas que os 
trouxeram. Abafam-se num cobertor de mentiras sem saber e 
falam de injustiça quando tentamos chamá-los à verdade. 

Dormem de vez em quando nas nossas camas e protegemo-los 
da dor como aos filhos que não iremos ter nunca
porque não nos resignamos a perdê-los. E, um dia, partem, vão 

culpados, não chegam a explicar o que os arrasta. Escrevem
cartas mais tarde - uma ou duas para se aliviarem dessa espada.
E nós ficamos, eternamente, sem vergonha, à espera que regressem. 


Maria do Rosário Pedreira, in Poesia Reunida, ed. Quetzal