A Biblioteca da Fundação A LORD tem como principal objectivo contribuir para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais da comunidade.
É um local de leitura, de consulta de documentos e de recolha de informação.
No dia 4 de abril, a nossa
hora do conto foi dedicada aos meninos do 1º ano da EB de Freamunde.
Numa sessão diferente, porque
uma história não se conta apenas por palavras, mas também pela força sugestiva
das imagens, tivemos como convidada a ilustradora Carla Anjos que
explicou as várias etapas do seu trabalho, as técnicas utilizadas na criação
das ilustrações e a sua importância na narração de uma história.
A Biblioteca ofereceu aos
participantes “A sopa da pedra”, o trabalho mais recente da ilustradora, com
texto de Miguel Borges.
José Augusto Neves Cardoso Pires nasce a 2 de outubro de 1925, na aldeia de Peso, no distrito de Castelo Branco, mas vai para Lisboa com poucos meses de idade. Fixa residência naquela cidade, onde morre a 26 de outubro de 1998. É reconhecido como um dos mais importantes escritores portugueses da segunda metade de século XX.
Exerceu várias profissões, entre as quais, redator de uma revista feminina, Eva, em finais dos anos 40. Em 1949, publica o seu primeiro livro, "Os Caminheiros e Outros Contos", retirado de circulação pela censura. Nos princípios dos anos 50, foi detido pela PIDE depois da apreensão do seu livro de contos "Histórias de Amor". Nos anos 60 foi membro da Sociedade Portuguesa de Escritores. Em 1963 publica "Hóspede de Job", livro dedicado ao seu irmão, morto enquanto cumpria o serviço militar nos anos 50, e que lhe valeu o Prémio Camilo Castelo Branco em 1964; e "O Delfim" em 1968, romance geralmente considerado a sua obra-prima. Em inícios dos anos 70, foi professor de Literatura Portuguesa e Brasileira em Inglaterra, no King's College da Universidade de Londres.
Nos anos 80, publica mais dois romances singulares. São Balada da Praia dos Cães (1982), romance que lhe valeu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores e que foi alvo da realização de um filme, com o mesmo nome, de José Fonseca e Costa, em 1987, e Alexandra Alpha (1987) obra que mereceu o Prémio Especial da Associação de Críticos, de São Paulo, no Brasil. "O primeiro reconstitui, de forma inovadora e plurifacetada, o crime da Praia do Guincho, ocorrido na realidade em 1960, mas perspetivado, neste romance, como fazendo parte de um passado social e político. O segundo é o único, nesta obra, que representa o Portugal pós-1974, vendo nele toda a violência do conflito político e económico dos primeiros tempos da revolução." (Cabral, Eunice, cvc.instituto-camoes.pt)
A sua última obra mais importante é De profundis, Valsa Lenta (1997), relato do acidente vascular cerebral que o atingiu em 1995, que é apresentado pelo autor como uma “viagem à desmemória” e pela qual recebeu dois prémios: Prémio D. Dinis e Prémio da Crítica, atribuído pela Associação Internacional de Críticos Literários. É a única narrativa da sua obra que pode ser considerada autobiográfica.
Recebeu também o Prémio Internacional União Latina (1991), o Astrolábio de Ouro do Prémio Internacional Último Novecento (1992) e o Prémio Pessoa (1997). Em 1998 sofreu outro acidente vascular cerebral, que viria a ser a causa da sua morte. Em setembro desse mesmo ano foi-lhe atribuído o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.
José Cardoso Pires tem 18 obras publicadas, abrangendo os estilos de crónica, romance, teatro, ensaio, conto, fábula e "memória".
O seu trajeto pessoal e a sua carreira de escritor são marcados pela inquietação e pela deambulação. Não se identifica com nenhum grupo, nem se fixa em nenhum género literário, apesar de ser considerado sobretudo como um romancista.
A relação mais consistente e duradoura, no campo literário, deu-se com o movimento neorrealista português até ao 25 de Abril de 1974, não por razões estéticas, mas, sobretudo, pela adesão a uma política de resistência ao regime autoritário português. O traço distintivo, que mantém até às últimas obras, é o respeitante ao compromisso da literatura com a realidade sua contemporânea.
BIBLIOGRAFIA
Os Caminheiros e Outros Contos (1949). Histórias de Amor (1952). O Anjo Ancorado (1958). O Render dos Heróis (1960). Cartilha do Marialva (1960).
Jogos de Azar (1963). O Hóspede de Job (1963). O Delfim (1968). Dinossauro Excelentíssimo (1972). E agora, José? (1977). O Burro-em-Pé (1979). Corpo-Delito na Sala de Espelhos (1980). Balada da Praia dos Cães (1982). Alexandra Alpha (1987). A República dos Corvos (1988). A cavalo no Diabo (1994). De profundis, Valsa Lenta (1997). Lisboa – Livro de Bordo (1997).
"Baixo a vidraça, mas, ouvindo através dela a balbúrdia da rua, preparo-me para uma noite difícil. Enquanto não adormecer vou pensar certamente no tema «Toda a festa é uma demonstração de poder», e daí sairá um caudal de lembranças nocturnas – Regedor, política, cosmonautas, amor, coisas boas. De raciocínio em raciocínio irei longe, darei voltas para chegar a casa do Engenheiro conquistada pelas lagartixas, que são para mim, o tempo (português) da História. Ficarei um instante parado, à sombra. Descerei o vale por cima de uma cama de fetos, aproximando-me em sonhos da lagoa, com as suas águas tristes, sua solidão, seus segredos... até que ao primeiro tiro da madrugada se levantarão os patos de asa crespa numa esfera de som e de poalha de luz."
PIRES, José Cardoso, O Delfim, 15.ª edição, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1997, 227 p., pp. 168-169
Fred, o Estranhão, é um rapaz
de 11 anos, com um Q.I. acima da média, que conta a sua estranha vida (a
família, a escola, os amigos, os amores), com palavras e desenhos, enquanto reflete
sobre tudo o que o rodeia.
O seu grande desafio é viver
uma vida normal, sem sobressaltos, e chega a fingir que é estúpido para não ser
incomodado pelos que fingem ser inteligentes. Mas isso não é tarefa fácil para
um Estranhão.
Um livro cheio de humor e de
peripécias divertidas!
Requisita-o na Biblioteca e,
se gostares, há mais títulos desta coleção à tua espera.
As heras de outras eras água pedra
E passa devagar memória antiga
Com brisa madressilva e primavera
E o desejo da jovem noite nua
Música passando pelas veias
E a sombra das folhagens nas paredes
Descalço o passo sobre os musgos verdes
E a noite transparente e distraída
Com seu sabor de rosa densa e breve
Onde me lembro amor de ter morrido
- Sangue feroz do tempo possuído.
Andresen, Sophia de Mello Breyner. 1996. Obra
poética. Lisboa: Caminho
OLHOS
POSTOS NA TERRA, TU VIRÁS
Olhos
postos na terra, tu virás
no
ritmo da própria primavera,
e
como as flores e os animais
abrirás
nas mãos de quem te espera.
EUGÉNIO
DE ANDRADE, As Mãos e os Frutos, 1948
ANUNCIAÇÃO
Surdo
murmúrio do rio,
a
deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro
moroso
dum
recado comprido,
di-lo
sem pressa ao alarmado ouvido
dos
salgueirais:
a
neve derreteu
nos
píncaros da serra;
o
gado berra
dentro
dos currais,
a
lembrar aos zagais
o
fim do cativeiro;
anda
no ar um perfumado cheiro
a
terra revolvida;
o
vento emudeceu;
o
sol desceu;
a primavera
vai chegar, florida.
Miguel
Torga, Poesia Completa de Miguel Torga - Volume I
(…)
o Nobel foi atribuído à poesia de Bob Dylan, não à sua música; e a poesia de
Dylan, certamente indissociável das canções que criou, é, como poesia, autónoma
em relação a ela. Pois bem, por uma vez, a Academia surpreendeu pela positiva
(…). E lançou-nos um desafio: tratemos de ler ou reler a poesia de Bob Dylan
enquanto poesia e talvez tenhamos algumas surpresas. E sobretudo não fiquemos
chocados, pelo facto de essa poesia ser difundida em concertos (como foi), pela
rádio, pela televisão e pela internet.
Nascido em Duluth, no Minnesota, em
1941, no seio de uma família de proveniência russa e judaica, Bob Dylan, pseudónimo
de Robert Allen Zimmerman, começou a escrever poemas com dez anos de idade.
Aprendeu a tocar piano e guitarra sozinho. Em 1959, foi estudar para a
Universidade do Minnesota (EUA). No ano seguinte, decidiu deixar a faculdade e
partir para Nova Iorque, cada vez mais interessado nas origens do rock and roll
e em intérpretes e criadores como Woody Guthrie, sua grande referência musical.
“Já tinha passado por muitas coisas e visto muitas outras. Mas agora o destino
ia revelar-se. Senti que [Guthrie] estava a olhar diretamente para mim e para
mais ninguém”, escreve Dylan no 1.º volume das suas Crónicas.
Em 2004, foi eleito pela revista Rolling Stone o 7º
maior cantor de todos os tempos e, pela mesma revista, o 2º melhor artista da
música de todos os tempos, ficando atrás somente dos Beatles,
e uma de suas principais canções, "Like a Rolling Stone", foi
escolhida como a melhor de todos os tempos. Influenciou diretamente
grandes nomes do rock americano e britânico dos anos de 1960 e 1970. Em 2012, Em 2004, foi eleito pela renomada revistaRolling
Stoneo 7º maior cantor de todos os tempos e, pela mesma revista, o 2º
melhor artista da música de todos os tempos, ficando atrás somente dosBeatles, e uma de suas principais canções, "Like a Rolling Stone", foi escolhida como a melhor de todos os tempos.[1]Influenciou diretamente grandes nomes
do rock americano e britânico dos anos de 1960 e 1970. Em 2012, Dylan foi
condecorado com aMedalha Presidencial da Liberdadepelopresidente dos Estados UnidosBarack
Obama.
Ganhou o Prémio Nobel da Literatura em
2016 por "ter criado novos modos de expressão poética no quadro da
tradição da música americana". E, assim, tornou-se o primeiro e único
artista na história a ganhar, além do Prémio
Nobel, o Oscar, o Grammy e
o Globo de Ouro.
Luísa
Ducla Soares selecionou os poemas que integram Poesia para todo o
ano, uma antologia organizada de acordo com os temas abordados no 1.º
Ciclo do Ensino Básico.
Esta
coletânea é certamente uma bela iniciação à poesia, constituindo, também, um
apoio para professores e encarregados de educação. Inclui poemas de todos os
livros presentes nas Metas Curriculares de Português para este nível de ensino.
Através
dos mais reconhecidos poetas do passado e contemporâneos, abrange temáticas
abordadas nos quatro primeiros anos de escolaridade, procurando estimular o
prazer de ler e o gosto pela poesia e pela língua portuguesa.
Esta
antologia aborda assuntos como, por exemplo, a natureza, o corpo humano, a
História de Portugal, as festividades, entre outros. E inclui a indicação do nível de dificuldade
de cada poema e respetiva recomendação do ano de escolaridade a que se destina.
Cada
um dos doze capítulos é ilustrado por um artista diferente, facto que permite o
acesso a uma grande variedade estética.
No
mês em que se celebra mundialmente a poesia, uma boa sugestão para aprenderes,
divertindo-te.
Visita
a Biblioteca e leva este livro contigo.
Coisas que não há que há
Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia…
madrugada, passos soltos de gente que saiu com destino certo e sem destino aos tombos no meu quarto cai o som depois a luz. ninguém sabe o que vai por esse mundo. que dia é hoje? soa o sino sólido as horas. os pombos alisam as penas, no meu quarto cai o pó.
um cano rebentou junto ao passeio. um pombo morto foi na enxurrada junto com as folhas dum jornal já lido. impera o declive um carro foi-se abaixo portas duplas fecham no ovo do sono a nossa gema.
sirenes e buzinas, ainda ninguém via satélite sabe ao certo o que aconteceu, estragou-se o alarme da joalharia, os lençóis na corda abanam os prédios, pombos debicam
o azul dos azulejos, assoma à janela quem acordou. o alarme não pára o sangue desavém-se. não veio via satélite a querida imagem o vídeo não gravou e duma varanda um pingo cai de um vaso salpicando o fato do bancário
Numa iniciativa que visa a promoção do teatro, como arte do espetáculo, junto do público escolar de Lordelo, e o apoio ao programa curricular da disciplina de Língua Portuguesa/Português, a Biblioteca da Fundação A LORD promoveu a dramatização do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, um dos textos que os alunos do 9º ano estudam.
O Auditório da Fundação foi o local onde decorreu o espetáculo a cargo do TEATRO ARAMÁ.
A disputa figurada é entre o Bem e o Mal. O Diabo da barca dos danados e o Anjo da barca que conduz ao Paraíso ouvem as justificações do Judeu, da Brízida Vaz, do Onzeneiro, do Parvo, entre outras personagens, das ações praticadas em vida, decidindo sobre o seu destino, conforme o respetivo merecimento. A vaidade, a usura, a hipocrisia, a luxuria e outros são os “pecados” que as personagens vão desfilando.
O grupo do TEATRO ARAMÁ, dirigido por Tó Maia, apresentou um trabalho rigoroso e divertido, aliando a seriedade do tema aos diferentes tipos de cómico.
Ficha artística e técnica
Adaptação e Direção: Tó Maia. Cenografia: Hernâni Miranda Interpretação: Jaime Monsanto, Eva Fernandes, Miguel Rimbaud e Tó Maia - Operação Técnica: Pedro Esperança - Produção: Teatro Aramá