terça-feira, 3 de maio de 2016

Encontro com Rosário Castanheira



No mês de abril, para celebrar o Dia do Livro Infantil, recebemos a visita de Rosário Castanheira, autora do livro Fugas de Mel com o qual esta educadora se inicia na escrita infantil.

O encontro estava marcado para as 10h com os alunos do 1º ciclo dos Centros Escolares nº1 e nº2 de Lordelo.
A autora falou do seu livro que, através de uma história que se desenrola à volta de uma colmeia, ressalta a importância do mel na nossa alimentação. Os meninos, curiosos e atentos, seguiram as personagens da história, apresentadas de forma dinâmica e cativante pela escritora.
Num segundo momento e no sentido de uma maior sensibilização para este tema, as crianças contactaram com um apicultor convidado que, acompanhado de uma colmeia, explicou a vida das abelhas e o processo de produção do mel. 

Entusiasmados com as informações colhidas, os meninos partiram levando consigo a história da escritora, nos livros oferecidos pela Biblioteca. 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Quatro Poemas

1.
Para quê, perguntou ele, para que servem
Os poetas em tempo de indigência?
Dois séculos corridos sobre a hora
Em que foi escrita esta meia linha,
Não a hora do anjo, não: a hora
Em que o luar, no monte emudecido,
Fulgurou tão desesperadamente
Que uma antiga substância, essa beleza
Que podia tocar-se num recesso
Da poeirenta estrada, no terror
Das cadelas nocturnas, na contínua
Perturbação, morada da alegria;

2.
Essa beleza que era também espanto
Pelo dom da palavra e pelo seu uso
Que erguia e abatia, levantava
E abatia outra vez, deixando sempre
Um rasto extraordinário. Sim, a hora,
Dois séculos antes, em que uma ausência
E o seu grande silêncio cintilaram
Sobre a mão do poeta, em despedida.

7.
Nós, os ateus, nós, os monoteístas,
Nós, os que reduzimos a beleza
A pequenas tarefas, nós, os pobres
Adornados, os pobres confortáveis,
Os que a si mesmos se vigarizavam
Olhando para cima, para as torres,
Supondo que as podiam habitar,
Glória das águias que nem águias tem,
Sofremos, sim, de idêntica indigência,
Da ruína da Grécia.

23.
A terceira miséria é esta, a de hoje.
A de quem já não ouve nem pergunta.
A de quem não recorda. E, ao contrário
Do orgulhoso Péricles, se torna
Num entre os mais, num entre os que se entregam,
Nos que vão misturar-se como um líquido
Num líquido maior, perdida a forma,
Desfeita em pó a estátua.


[Hélia Correia, in A Terceira Miséria, Relógio d’Água, 2012]


O Leituras sugere...





...para maio



Trincas - O Monstro dos Livros

Emma Yarlett


TRINCAS, o MONSTRO devorador de livros, trincou tanto que saiu do seu próprio livro, e agora está a provocar o caos em histórias bem conhecidas.


Este monstrinho é um grande malandro!


O que será?! Só lendo, descobrirás!


 E não é que ele decidiu fugir? E agora? Vamos procurá-lo! Precisamos de o encontrar!
CUIDADO! Protege os teus livros!

Uma história muito engraçada que vais adorar!
Requisita-a na nesta Biblioteca.

Faixa etária: dos 3 aos 6 anos

terça-feira, 26 de abril de 2016

O DIA DA LIBERDADE | 25 de abril



Este dia é um canteiro
com flores de todo o ano
e veleiros lá ao largo
navegando a todo o pano.
E assim se lembra outro dia febril
que em tempos mudou a história
numa madrugada de abril,
quando os meninos de hoje
ainda não tinham nascido
e a nossa liberdade
era um fruto prometido,
tantas vezes proibido,
que tinha o sabor secreto
da esperança e do afeto
e dos amigos todos juntos
debaixo do mesmo teto.


José Jorge Letria, O livro dos dias

DIA MUNDIAL DO LIVRO | 23 de abril



Abre-se o livro
em qualquer página
e cabe nele um dia ou um ano,
cabe nele a sabedoria,
o romance e a poesia,
cabe nele o conhecimento;
e a luz que vem do pensamento;
cabe nele tudo o que somos,
desde que gostemos de ler,
porque ler é aprender,
sendo também liberdade e prazer;
cabe nele o mundo inteiro,
escrito em computador
ou com a tinta de um tinteiro,
e de tudo isso falará neste dia
o leitor verdadeiro,
que do livro, por ser livre,
será sempre amigo e companheiro.


José Jorge Letria, O livro dos dias

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Um poema...

Poema aos homens constipados










"Pachos na testa, terço na mão
Uma botija, chá de limão
Zaragatoas, vinho com mel
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes, que vou morrer
Mede-me a febre, olha-me a goela
Cala os miúdos, fecha a janela
Não quero canja, nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada
Se tu sonhasses, como me sinto
Já vejo a morte, nunca te minto
Já vejo o inferno, chamas diabos
Anjos estranhos, cornos e rabos
Vejo os demónios, nas suas danças
Tigres sem listras, bodes de tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes, que foi aquilo!
Não é a chuva, no meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes, fica comigo
Não é o vento, a cirandar
Nem são as vozes, que vêm do mar
Não é o pingo de uma torneira
Põe-me a santinha, à cabeceira
Compõe-me a colcha, fala ao prior
Pousa o Jesus, no cobertor
Chama o doutor, passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes, nem dás por nada
Faz-me tisanas, e pão-de-ló
Não te levantes, que fico só
Aqui sozinho a apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer."

António Lobo Antunes, in Letrinhas de Cantigas  (canções) 2002