quarta-feira, 13 de abril de 2016

Um poema...

Poema aos homens constipados










"Pachos na testa, terço na mão
Uma botija, chá de limão
Zaragatoas, vinho com mel
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes, que vou morrer
Mede-me a febre, olha-me a goela
Cala os miúdos, fecha a janela
Não quero canja, nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada
Se tu sonhasses, como me sinto
Já vejo a morte, nunca te minto
Já vejo o inferno, chamas diabos
Anjos estranhos, cornos e rabos
Vejo os demónios, nas suas danças
Tigres sem listras, bodes de tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes, que foi aquilo!
Não é a chuva, no meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes, fica comigo
Não é o vento, a cirandar
Nem são as vozes, que vêm do mar
Não é o pingo de uma torneira
Põe-me a santinha, à cabeceira
Compõe-me a colcha, fala ao prior
Pousa o Jesus, no cobertor
Chama o doutor, passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes, nem dás por nada
Faz-me tisanas, e pão-de-ló
Não te levantes, que fico só
Aqui sozinho a apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer."

António Lobo Antunes, in Letrinhas de Cantigas  (canções) 2002

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Escritor do mês | abril

O Leituras sugere...





...para abril


A Grande Prova
Livro 1

de Ana Galán


“A Grande Prova” é o primeiro volume da coleção infantil Mondragó – nome de um dragão distraído que não pode voar e passa a vida a espirrar, deitando fogo pelo nariz, e que tem por companheiro de aventuras um menino de 11 anos, Cale.
Neste primeiro livro, Cale faz onze anos e, como já é tradição na aldeia de Samaradó, o dragoeiro António vai atribuir-lhe um dragão e uma prova que terá de superar: levar o dragão ao seu castelo antes que a lua atinja o seu ponto mais alto. Mas Mondragó não é exatamente aquilo que Cale esperava: é demasiado grande, distrai-se constantemente e, para além disso, é incapaz de voar! Com um dragão assim… como conseguirá superar a prova? Afortunadamente, Arco, Casi e Mayo, os seus melhores amigos, vão percorrer com ele um trajeto cheio de perigos e aventuras. Juntos, enfrentarão o diabólico Murda, os dragões assassinos dos seus pais e o misterioso alcaide Wickenburg. Que estranho objeto leva Mondragó na boca quando sai do castelo em debandada? Conseguirão sair dali com vida e chegar a tempo ao castelo de Cale?

Procura este livro na Biblioteca e diverte-te a encontrar as respostas a estas perguntas.

Destinado a crianças a partir dos oito anos.

Programação mensal | abril


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Comemoração do Dia Internacional do Livro Infantil


Encontro com a escritora Rosário Castanheira


Dia 7 de abril 

Horário: 10h e 11h (2 sessões)

Local: Biblioteca da Fundação A LORD




segunda-feira, 4 de abril de 2016

Outro Modo de Escrita

A Fundação A LORD trouxe até ao seu Auditório a exposição coletiva de ilustração infantojuvenil Outro Modo de Escrita.
Esta exposição, composta por 15 obras de diversos ilustradores, permite um jogo entre a linguagem visual e a linguagem escrita, no momento da observação das imagens e da leitura dos livros a que pertencem as ilustrações, pretendendo, assim, ser um espaço de descoberta e de convite à leitura ou aos múltiplos modos de ler.

Dando cumprimento a este objetivo, a Fundação A LORD convidou os alunos dos Centros Escolares nº 1 e nº 2 para uma visita guiada, dinamizada pela Biblioteca e composta de dois momentos:
  •   Visita guiada à exposição;
  •   Hora do conto - apresentação de histórias de livros expostos seguida de uma atividade plástica complementar.
As crianças do pré-escolar ouviram o conto Livro dos medos, de Adélia Carvalho. Depois, cada um desenhou o seu maior medo para ficar guardado na Biblioteca.


Os meninos do 1º ciclo viajaram pelo País das pessoas de pernas para o ar, de Manuel António Pina e experimentaram a representação de pessoas…de pernas para o ar.


Foi gratificante constatar o interesse e a curiosidade das crianças pelos trabalhos expostos, bem como o agrado dos professores por esta iniciativa.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Sábado na Biblioteca | 12 de março

No dia 12 de março, a Biblioteca estará aberta no seu horário habitual, das 9h - 12h30 e das 13h30 - 18h.

Um poema...

PASSOS SEM MEMÓRIA

Olho pela janela e não vejo o mar. As gaivotas
andam por aí e a relva vai secando no varal. Manhã cedo,
o mar ainda não veio. Veio o pão, veio o lume
e o jornal. A saliva com que te hei-de dizer bom dia.
As palavras são as primeiras a chegar. O que fica delas
amacia o papel. Pão quente com o sono de ontem
e os sonhos de hoje. Prepara-se o dia, os passos
de ir e vir. Estou cada vez mais perto. Olhas-me
como se soubesses o que hei-de saber mais logo.
Nesta cidade nunca é meio-dia. Há sempre uma doçura
de outras horas. E recordações avulsas. Deixa-as sair
de dentro do vestido, deixa soltar as ondas do mar.
A janela está vazia. O meu filho caminha na praia
e tu soletras as gaivotas. Caminha à minha frente
sem deixar pegadas. Perco-me como todas as mães,
todos os amantes. Invento passos e palavras
para adormecer. A esta hora a minha avó enrolava o rosário
nas mãos. Eu estava dentro das contas, dentro do sono
que rondava a prece. Durante muito tempo estive fora.
Agora caminhamos juntos. Sem memória.

Rosa Alice Branco

Soletrar o Dia. Obra Poética


sexta-feira, 4 de março de 2016

O Leituras sugere...





...para março 



Conversas com Versos

de Maria Alberta Menéres, Géninha Melo e Castro, Mariana Melo


Maria Alberta Menéres, com a sua imaginação, conversa em versos, inventa mundos, imagens e amigos, inventa perguntas e respostas, transporta a sua Poesia para o mundo das crianças eternas, e no tempo interno de cada uma provoca um espanto novo. São pequenas histórias a rimar, embelezadas pelos bonecos que moram nas suas páginas. Uma formiga que é um F, o gafanhoto saltarinho, o cão canzarrão são alguns dos protagonistas destes versos em que as palavras ganham ritmo e fazem música.
Três gerações participam nesta nova edição: mãe, filha e neta. Maria Alberta Menéres escreve, Géninha Melo e Castro canta, Mariana Melo ilustra.

Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para leitura orientada no 1.º ano.

Excerto:

TIMIDEZ

O bicho-de-conta
Faz de conta, faz
Que é cabeça tonta
Mas lá bem no fundo
Não é mau rapaz.

Se a gente lhe toca,
Logo se disfarça:
Veste-se de bola.
Por mais que se faça
Não se desenrola.

Lá dentro escondendo
Patinhas e rosto
É todo um segredo:
Se eu fosse menino
Comigo brincava
Sem medo, sem medo.

Maria Alberta Menéres, Conversas com Versos, 2015