quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Um poema...


Mãezinha

A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem mísseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.

Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data,
3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai do berço até à puberdade.

28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido
desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de fiilhos…
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser consideradas
nestas considerações.)

Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se inclinavam para o casamento.

Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.

Dessas havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam
no troço habitual que o meu pai percorria,
tranquilamente no maio sossego, às horas em
que entrava e saía do emprego.

Dessas 9 excelentes raparigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.

A que sobeja
chama-se Rosinha.
Foi essa que o meu pai levou à igreja.
Foi a minha mãezinha.


António Gedeão,  in Poesias Completas.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Sábados na Biblioteca


No próximo sábado 16 de janeiro, a Biblioteca estará aberta no seu horário habitual
das 9h - 12h30 e das 13h30 - 18h.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Escritor do mês | janeiro


O Leituras sugere...





...para janeiro




Sisters: O coelho das neves
 Christophe Cazenove



Para os bonecos de neve devia ser inverno todos os dias! Um par de luvas, um gorro, um cachecol e uma boa quantidade de neve e temos o jogo mais simples do mundo. Mas para Wendy e Marine, um jogo acaba sempre por ser um desafio: quem fará a escultura mais bonita? O concurso transforma-se então numa verdadeira batalha.
Uma boa história para ler nestes dias frios de inverno.

BOM ANO 2016!
BOAS LEITURAS!

HISTÓRIAS DE ENCANTAR | janeiro

7 e 21 janeiro | 10H30

Um livro

Hervé Tullet


Teatro de fantoches | janeiro

14 e 28 janeiro | 10H30 

História do dentinho


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Feliz Natal e um Próspero Ano de 2016


Informamos que a Biblioteca estará encerrada no dia 24 todo o dia, e no dia 31 a partir das 12h.

ANIVERSÁRIO DA FUNDAÇÃO A LORD E DA BIBLIOTECA

No passado dia 5 de dezembro, comemoraram-se o XIX aniversário da Fundação A LORD e o XV da Biblioteca.

No início da sessão, o Presidente da Fundação, Dr. Francisco Leal tomou a palavra para saudar todos os presentes e relevou a ação interventiva desta instituição no desenvolvimento cultural de Lordelo, em áreas como a música, a leitura e o teatro. Anunciou, ainda, a criação de um museu interativo e de uma nova Biblioteca e salientou o trabalho desta na promoção da leitura, em cooperação com as escolas do concelho.


Foram, depois, entregues os diplomas aos finalistas dos cursos de Noções Básicas de Informática e de Informática-Internet níveis I e II.

Seguiu-se a atuação do grupo LordATOR Juvenil que apresentou “A guerra do tabuleiro de xadrez” de Manuel António Pina.


A encerrar, todos os presentes cantaram os parabéns às aniversariantes e foram convidados a provar o respetivo bolo.



segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Um poema...

É NATAL!


NATAL CHIQUE


Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.

Vitorino Nemésio

EU QUERIA SER PAI NATAL



Eu queria ser Pai Natal
E ter carro com renas
Para pousar nos telhados
Mesmo ao pé das antenas.
Descia com o meu saco
Ao longo da chaminé,
Carregado de brinquedos
E roupas, pé ante pé.
Em cada casa trocava
Um sonho por um presente
Que profissão mais bonita
Fazer a gente contente!

Luísa Ducla Soares