CATÁLOGO ONLINE
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Programação mensal | novembro
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Programação mensal
terça-feira, 3 de novembro de 2015
É tempo de compotas!
Do livro: Diário X, s/editora, 1966, Coimbra
O
outono é uma das mais bonitas estações do ano, graças à diversidade de cores,
cheiros e sabores que nos oferece. As árvores que vão deixando cair as suas
folhas e os frutos maduros e suculentos proporcionam-nos uma paleta rica de
cores:
· o
amarelo e o laranja – nas abóboras, nos marmelos, nos dióspiros, nas peras.
· o
vermelho – nas maçãs, nos tomates, nas romãs;
· o
castanho – nas castanhas, nas avelãs, nas amêndoas e nas nozes;
· o
roxo – nas uvas e nos figos.
Sendo o
outono um tempo rico em frutos, podemos aproveitá-los, para os consumirmos ao
longo do ano.
Como?
Fazendo compotas.
Fazer compotas é um processo tradicional de
conservação de frutos, através do açúcar.
Em http://www.cincoquartosdelaranja.com/2015/08/25-doces-compotas-geleias-para-aproveitar-fruta-estacao.html podemos
encontrar receitas fáceis e deliciosas.
Livros
de receitas – as nossas sugestões:
Doces,
Compotas e Geleias
Editorial
Presença
100
Maneiras Compotas, Geleias e Marmeladas
Livraria
Civilização Editora
Doces
de Frutos - Compotas e Geleias
Colares Editora
Na nossa Biblioteca:
Compotas e conservas de Elisabeth Lambert Ortiz
Livraria Civilização Editora
Sobremesas - compotas e queijos
Col. Essencial da cozinha
Editora QuidNovi
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Ainda a propósito de compotas…
A doçura
Manuel
Jorge Marmelo
Anita vende a doçura em frascos. Enche-os de compota de fruta, tapa-os e cola-lhes uma etiqueta, mas, em vez de escrever compota disto ou compota daquilo, de mirtilos ou de pêssego, de marmelo ou de morango, arredonda a letra e escreve apenas Doçura. Senta-se no passeio com os frascos defronte, expostos no asfalto, junto aos pés, e não lhe faltam clientes. A compota vende-se muito bem e ninguém regressa para reclamar: quem compra julga que a doçura está toda nos olhos de Anita.
Anita vende, pois, a doçura que tem no olhar e a doçura que embala nos frascos de vidro. É isso o que faz, sentada no passeio defronte do Mercado Sucupira, pelo menos desde que desistiu de escrever poemas.
Na escola, a professora de Anita não se cansava de lhe gabar a delicadeza das composições que escrevia. A mestra ordenava às crianças que escrevessem uma composição sobre isto ou aquilo, sobre a Primavera ou sobre o ilhéu defronte da baía da Gamboa, e o que Anita fazia era sempre igual: escrevia no topo da folha pautada a palavra Composição com essa mesma letra indecisa e pequena que hoje lhe serve para escrever Doçura nas etiquetas dos frascos de doce — e depois deixava que a cabeça a levasse para longe, para o mundo impalpável das coisas que estão escritas nas páginas dos livros. Escrevia sobre bosques impenetráveis e montanhas verdejantes, sobre belos guerreiros medievais e cidades de prédios muito altos, ainda que não houvesse na ilha nenhuma das coisas que descrevia e, por isso, ela nunca tivesse visto bosque algum, nenhuma paisagem alpina ou um príncipe que fosse.
E um dia, mais do que gabar-lhe a composição e afagar-lhe a carapinha, a professora disse:
— Um dia ainda vais ser poeta, Anita.
E Anita conseguiu imaginar que era poeta, que escrevia livros iguais aos que gostava de ler à noite, quando a luz faltava na Praia e a cidade voltava a ser um sítio apenas iluminado por candeias e velas. Cresceu, por isso, julgando que, um dia, escreveria poemas e frases bonitas sobre a sua ilha e que as crianças das outras partes do mundo leriam o que escrevesse e sonhariam com a baía morna onde, às vezes, a lua cheia vem namorar o mar — do mesmo modo que eu, estando longe, vejo Anita sem sequer a ver. Estou num sítio ao Norte do mundo, no Inverno, longe do mar, num prédio alto e cinzento, igual aos que Anita imagina quando tem que escrever uma composição sobre A Cidade. Não vejo, de onde estou, o Mercado Sucupira, nem essa Avenida de Lisboa em cujo passeio Anita se senta para vender a Doçura. Nesta janela, tendo defronte apenas as janelas gémeas de um prédio igual, encosto a face ao vidro da varanda e adivinho o frio que faz lá fora (todo o frio me parece muito desde o dia perverso em que o Verão termina). Invento o frio e encolho ainda mais dentro do corpo. É aqui, porém, que, encostado ao vidro que me separa do Inverno, espero que venha o raio morno que o sol derrama quando se eleva acima da massa sombria dos prédios da cidade. Então, e por um instante, fecho os olhos, esqueço o Inverno e imagino que ainda é Verão, que a cidade lá fora é a Praia e que Anita está sentada no passeio a vender Doçura desde o dia em que soube que não seria poeta.
Ora a invejo, ora me enterneço com a doçura que guarda e com o modo que tem de a entregar ao mundo, ali sentada no passeio escalavrado da Avenida de Lisboa: agita uma revista velha diante do peito para se refrescar e põe a mão em pala diante dos olhos (para que o sol não derreta o açúcar que neles há). As outras pessoas passam e veem Anita vendendo a Doçura em frascos. Muitas param para comprar: uns levam apenas a compota, outros vêm pela imensa doçura que há nos olhos da menina-moça, pelo sorriso imenso que o rosto dela desenha.
Eu, que não vejo Anita, vejo claramente o riso dela, o lenço branco que Anita tem enrolado na cabeça, a camisa cor-de-rosa, as argolas douradas que tem nas orelhas, a saia de chita, o chinelo de plástico que abriga os pés dela. Imagino até que, às vezes, Anita lance no ar um pregão tímido
— Nha leba doçura pa casa
que o barulho do trânsito o abafa. Que, quando regressar a casa depois de ter vendido todos os frascos, Anita levará o dinheiro apertado na mão, firmemente, feliz por ter vendido toda a compota — e triste por não ter podido ser poeta. Vai caminhando de cabeça erguida, devagar, como se o seu andar fosse uma pausa entre a ida veloz dos passos de uns e a vinda apressada dos passos dos outros. Não escuta os piropos dos rapazes, não ouve o barulho da cidade: vai inventando poemas que não escreverá jamais, pois cedo a mãe lhe explicou que
— Não é poeta quem quer, é poeta quem a vida deixa. Poesia de pobre é comida na mesa para encher barriga.
Quando a noite vem e não há luz na Praia, quando o zumbido das coisas elétricas cessa e se pode escutar o murmúrio da terra e os sussurros da vizinhança, Anita debruça-se na janela da casa e fica a contemplar o corisco breve das estrelas. Imagina poemas que não escreve e inventa paisagens nevadas, belos príncipes crioulos montados em alazões, cidades de altíssimos prédios onde todos se conhecem pelo nome próprio e se cumprimentam à tardinha quando regressam a casa — tudo pode ser visto nas estrelas diante da janela do quarto de Anita.
Quando aí está, esperando que os pontos luminosos da noite se ordenem e inventem mundos, Anita pensa que ainda é poeta, que são poemas as frases com que imagina príncipes crioulos e cidades imensas de vidro e aço. Sonha os livros que escreveria se não fosse menina pobre e a vida tivesse permitido que o vaticínio da velha mestra se concretizasse.
(— Um dia ainda vais ser poeta, Anita)
Às vezes, pensando nisto, Anita ainda se entristece. Olhando-a a partir da minha janela do país onde é quase sempre Inverno, vejo que as estrelas se lhe refletem no orvalho dos olhos. Vejo isto e enterneço-me. Daqui longe fecho os meus olhos e sussurro bem baixinho a única verdade que existe — para que ela a oiça: que não há no mundo todo maior poema do que vê-la, sentada no passeio, a vender a Doçura que tem nos frascos. E nos olhos.
O prazer da leitura
Edição conjunta de FNAC/Teorema publicado por ocasião do Dia Mundial do Livro
23 de Abril 2007
(excerto)
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Sábados na Biblioteca | 24 de outubro
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quinta-feira, 15 de outubro de 2015
ÁLVARO DE CAMPOS
Heterónimo de FERNANDO PESSOA
Álvaro de Campos é um dos heterónimos mais conhecidos, verdadeiro alter ego do escritor português Fernando Pessoa, que fez uma biografia para cada uma das suas personalidades literárias, a que chamou heterónimos.
Caricatura de Vasco
Engenheiro naval
Nasceu: 15 de
Outubro de 1890 à 1.30 da tarde.
Local: Tavira – Portugal
Local: Tavira – Portugal
Álvaro de Campos é um engenheiro
naval estrangeirado e deprimido que, de acordo com o seu criador, «Nasceu
em Tavira da Serra Grande, teve uma educação exemplar de Liceu; depois foi para
Glasgow, Escócia, estudar engenharia naval. Numas férias fez a viagem ao
Oriente Médio de onde resultou o Opiário. Agora está aqui em Lisboa em
inatividade.»
_______________________________
In Carta a Adolfo Casais Monteiro
- 13 Jan. 1935, dando notícias do nascimento de Álvaro de Campos
No dia em que se comemoram 125 anos sobre o nascimento do poeta Álvaro de Campos, publicamos três dos seus poemas.
DOBRADA À MODA DO PORTO
Um
dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me
o amor como dobrada fria.
Disse
delicadamente ao missionário da cozinha
Que
a preferia quente,
Que
a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se
comigo.
Nunca
se pode ter razão, nem num restaurante.
Não
comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E
vim passear para toda a rua.
Quem
sabe o que isto quer dizer?
Eu
não sei, e foi comigo...
(Sei
muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular
ou público, ou do vizinho.
Sei
muito bem que brincarmos era o dono dele.
E
que a tristeza é de hoje).
Sei
isso muitas vezes,
Mas,
se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada
à moda do Porto fria?
Não
é prato que se possa comer frio,
Mas
trouxeram-mo frio.
Não
me queixei, mas estava frio,
Nunca
se pode comer frio, mas veio frio.
© ÁLVARO DE
CAMPOS
In Poesias
de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa, 1944
Ed. Ática,
Lisboa (imp. 1993)
LISBON REVISITED
(1923)
Não: não
quero nada
Já disse que
não quero nada.
Não me
venham com conclusões!
A única
conclusão é morrer.
Não me
tragam estéticas!
Não me falem
em moral!
Tirem-me
daqui a metafísica!
Não me
apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências
(das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das
ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz
eu aos deuses todos?
Se têm a
verdade, guardem-na!
Sou um
técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso
sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o
direito a sê-lo, ouviram?
Não me
macem, por amor de Deus!
Queriam-me
casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o
contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse
outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como
sou, tenham paciência!
Vão para o
diabo sem mim,
Ou deixem-me
ir sozinho para o diabo!
Para que
havemos de ir juntos?
Não me
peguem no braço!
Não gosto
que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que
sou sozinho!
Ah, que
maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul —
o mesmo da minha infância —
Eterna
verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo
ancestral e mudo,
Pequena
verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa
revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me
dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em
paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto
tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
© ÁLVARO DE
CAMPOS
1923
In Poesias
de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa, 1944
Ed. Ática,
Lisboa (imp. 1993)
MAGNIFICAT
Quando é que
passará esta noite interna, o universo,
E eu, a
minha alma, terei o meu dia?
Quando é que
despertarei de estar acordado?
Não sei. O
sol brilha alto,
Impossível
de fitar.
As estrelas
pestanejam frio,
Impossíveis
de contar.
O coração
pulsa alheio,
Impossível
de escutar.
Quando é que
passará este drama sem teatro,
Ou este
teatro sem drama,
E recolherei
a casa?
Onde? Como?
Quando?
Gato que me
fitas com olhos de vida, quem tens lá no fundo?
É esse! É
esse!
Esse mandará
como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será
dia.
Sorri, dormindo,
minha alma!
Sorri, minha
alma, será dia!
© ÁLVARO DE
CAMPOS
7-11-1933
In Poesias
de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa, 1944
Ed. Ática,
Lisboa (imp. 1993)
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Escritor do mês | outubro
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terça-feira, 6 de outubro de 2015
O Leituras sugere...
...para outubro
O Planeta Azul
Luísa Ducla Soares
Este mês, a nossa
sugestão de leitura é O Planeta Azul.
Mas, afinal, de que
planeta falamos?
Já adivinharam! O Planeta Azul está bem perto, debaixo
dos nossos pés: é a Terra, bela e original, diversa e cheia de magia, sempre
capaz de nos fazer refletir e deslumbrar.
No entanto, a Terra
também está sujeita a muitos perigos como a poluição, os incêndios, a falta de
água e outros.
Salvar o nosso Planeta é
responsabilidade de todos: crianças e adultos.
Neste livro, a autora
oferece-nos um conjunto de poemas sobre diversos temas relacionados com o
planeta que habitamos.
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para alunos do 5º e 6º ano sem
hábitos de leitura, destinado a leitura orientada.
Um poema...
Outono
Desfolham-se as árvores
E as folhas, voando,
São aves ao vento.
Desfolham-se as árvores
E as folhas, caindo,
São tapetes no chão.
Desfolham-se as árvores
E os seus braços, nus,
Pedem um cobertor
De nuvens.
Luísa Ducla Soares, in "O Planeta azul"
Desfolham-se as árvores
E as folhas, voando,São aves ao vento.
Desfolham-se as árvores
E as folhas, caindo,
São tapetes no chão.
Desfolham-se as árvores
E os seus braços, nus,
Pedem um cobertor
De nuvens.
Luísa Ducla Soares, in "O Planeta azul"
Programação mensal | outubro
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terça-feira, 22 de setembro de 2015
Sábados na Biblioteca | 26 de setembro
No dia 26 de setembro, a Biblioteca estará aberta no seu horário habitual: 9h - 12h30 e 13h30 - 18h.
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