segunda-feira, 7 de julho de 2014

A propósito da leitura...


Um poema...

AS COISAS SIMPLES

(Sobre pinturas de Nuno de San Payo)

Gosto das coisas sólidas. Sem brilho. 
Coisas de linho ou de pedra 
desmesuradamente agarradas ao chão.

Gosto das coisas brancas
lavadas pelo ar fresco da manhã
e varridas pela memória recente 
da espuma, do sal ou da gaivota.

Coisas simples e serenas: 
o pão quente e farto, o café tomado em família,
as meninas chilreando sobre a relva
ao sol da primavera. 

Gosto da música suave que, 
quase sem de si nos dar presença, 
se desprende levemente
de uma flor irrepetível.

Gosto dos pequenos gestos, 
os simples, tranquilos e altivos gestos.

Gosto de saber que essa altivez
transporta um incêndio discreto, 
um canto de alaúde, um perfume de alfazema. 

Gosto das coisas simples, sólidas serenas:
um momento de obscura comoção, um resto de luz 
a estender-se na mesa, 
a folha de jornal já lido que se desprende e vai
na desmedida ambição 
de se tornar borboleta.

José Fanha, in "Marinheiro de outras luas"

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O Leituras sugere...






...para julho





O Dia em que o Mar Desapareceu
José Fanha
 Maria João Gromicho

Esta é uma história com preocupações de educação ecológica e ambiental que conta o mau comportamento de uma horrorosa família de pássaros bisnaus que sujam a praia e o mar e fazem com que o mar fique triste e desapareça. No final, o mar salva-se da poluição e volta a ser o maravilhoso mar que todos conhecemos.
Nesta época em que o calor convida a um mergulho no mar, não esqueçamos que o seu belo azul também depende de nós.

Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura

Faixa etária: a partir dos 6 anos

Escritor do mês | julho


sexta-feira, 20 de junho de 2014

VISITA CULTURAL


Numa iniciativa da Biblioteca e sob o lema Conhecer melhor o Porto, realizou-se mais uma visita cultural, tendo como destino o Jardim Botânico e a Casa Museu Marta Ortigão Sampaio.

Numa manhã que se anunciava chuvosa mas que não quis desiludir os participantes nesta visita, o sol iluminou o Jardim Botânico do Porto.

Este jardim oferece aos visitantes um conjunto de espécies raras, nomeadamente espécies exóticas. É ainda representativo das quintas de recreio do Porto oitocentista e é também um espaço literário. Ele é um lugar de referência na vida e na obra dos escritores Sophia de Mello Breyner Andresen e Ruben A.


Após uma pausa para almoço e um retemperador passeio à beira mar, na Foz do Porto, seguiu-se a visita a um dos espaços que integram o património museológico da Câmara Municipal do Porto.

A Casa Museu Marta Ortigão Sampaio apresenta as coleções herdadas e reunidas por Marta Ortigão Sampaio ao longo do século XX e legadas à Câmara Municipal do Porto em 1978.

Evoca os ambientes da grande burguesia portuense de meados do século XX, destacando-se os espólios das pintoras Aurélia de Sousa e Sofia de Sousa e a coleção de joias da doadora.





sexta-feira, 13 de junho de 2014

Feira do Livro 2014

Cumprindo a tradição, a Biblioteca da Fundação A LORD, na sua ação para o desenvolvimento cultural e para a promoção da leitura, realizou a Feira do Livro, de 26 de maio a 7 de junho, na Alameda de S. Salvador.

No cenário colorido e apelativo dos livros, organizou um conjunto de atividades dirigidas aos mais pequenos, contando com a colaboração de convidados.




As Histórias de Encantar, apresentadas diariamente, tiveram como ouvintes atentos os meninos dos infantários e creches de vários lugares do concelho de Paredes.






Na manhã do dia 2 de junho, a contadora de histórias Sónia Aguiar conduziu as crianças ao mundo da fantasia e da imaginação, num ambiente de festa que a todos encantou e divertiu.


Mas, porque uma história não se conta apenas por palavras mas também pela força sugestiva das imagens, foi nossa convidada a ilustradora Carla Anjos que explicou as várias etapas do seu trabalho, as técnicas utilizadas na criação das ilustrações e a sua importância na narração de uma história.


O escritor João Manuel Ribeiro trouxe ao seu encontro com os meninos da escola de Laje - Parada de Todeia alegria e boa disposição. As lengalengas, os poemas cantados e as adivinhas andaram no ar, num jogo interativo de sentidos e de sonoridades. Todos queriam mais...
A visita à Feira foi ainda a oportunidade, para as escolas participantes, de receberem livros autografados pelos convidados e oferecidos pela Biblioteca. 



terça-feira, 10 de junho de 2014

10 de junho Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas



O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, celebrado a 10 de junho, é o dia em que se assinala a morte de Luís Vaz de Camões em 1580, o Dia do Santo Anjo da Guarda de Portugal e também um feriado nacional de Portugal.

Durante o regime ditatorial do Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, o dia 10 de Junho era celebrado como o "Dia da Raça: a raça portuguesa ou os portugueses".

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, que marcou o fim do regime ditatorial do Estado Novo, a celebração do dia passou a prestar homenagem a Portugal, Camões e às Comunidades Portuguesas.

As comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas são celebradas por todo o país, mas só as Comemorações Oficiais, que decorrem em cidades diferentes todos os anos, são presididas pelo Presidente da República e muitas outras individualidades como o Primeiro-Ministro, os Embaixadores e outras personalidades. As comemorações envolvem diversas cerimónias militares, exposições, concertos, cortejos e desfiles, além de uma cerimónia de condecorações feita pelo Presidente da República.

Tributo a Luís de Camões 
As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,

Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;


E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.


Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto I (estrofes 1-3)


Sete anos de pastor Jacob servia 
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.


Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: - “Mais servira, senão fora
Para tão longo amor tão curta a vida!”

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos”



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança: 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades. 

Continuamente vemos novidades, 
Diferentes em tudo da esperança: 
Do mal ficam as mágoas na lembrança, 
E do bem (se algum houve) as saudades. 

O tempo cobre o chão de verde manto, 
Que já coberto foi de neve fria, 
E em mim converte em choro o doce canto. 

E afora este mudar-se cada dia, 
Outra mudança faz de mor espanto, 
Que não se muda já como soía. 

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"




sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Leituras sugere...






....para junho




Sobrei da história dos meus pais?
Graça Gonçalves

“Um laço por um abraço” - o pai fazia o laço nos sapatos da Mariana e acontecia um jogo de ternura entre os dois.

Mariana vivia feliz com a sua família até que, um dia, o pai fez as malas e partiu. Pouco tempo depois, quando chegou a casa com um ramo de malmequeres para a mãe, ela também já lá não estava. Mariana foi viver com a tia e os primos.

A tristeza invade-a e adoece. Será que vai voltar a ser feliz?

Um romance tecido com muita ternura e serenidade. 

“Nos últimos dias, várias vezes tinha percebido o seu desejo de me falar no conflito em que vivia. Nunca o fez. Só me abraçava. Abraçava-me muito. Também devia ser muito difícil tentar fazer-me entender que não ia haver lugar para mim naquela sua paixão adiada. No entanto, nessa manhã, evitou olhar-me e não me abraçou. Sentia-me a mais, a sobrar. A minha mãe tinha ido mesmo embora! Sem mim. Sem os malmequeres. Também a minha mãe emigrou. Emigrou do meu carinho.”