quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Regresso às instalações de origem

Após o habitual período de férias e no início de um novo ano escolar, queremos saudar todos os utentes com o desejo de um bom ano e informar que a BIBLIOTECA ocupa, de novo, as instalações que a viram nascer, dividindo o espaço com a Academia da Fundação A LORD, na Estrada Nacional 209, 2942 r/c.


Aguardamos a sua visita!





Um Poema...

António Ramos Rosa
1924-2013



Prémio Pessoa em 1988, António Ramos Rosa deixou uma vasta obra literária e foi uma das figuras marcantes da poesia portuguesa do século XX.

A Leitora
A leitora abre o espaço num sopro subtil.
Lê na violência e no espanto da brancura.
Principia apaixonada, de surpresa em surpresa.
Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco.
Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra.

Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento.
Desce pelos bosques como uma menina descalça.
Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva
em chama de água. Na imaculada superfície
ou na espessura latejante, despe-se das formas,

branca no ar. É um torvelinho harmonioso,
um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira
na sede obscura de palavras verticais.
A água move-se até ao seu princípio puro.
O poema é um arbusto que não cessa de tremer.

António Ramos Rosa, in "Volante Verde"

O Leituras sugere....






.....para setembro




O Principezinho

de Antoine de Saint-Exupéry


Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos!



Antoine de Saint-Exupéry publicou pela primeira vez «O Principezinho» em 1943, quando recuperava de ferimentos de guerra em Nova Iorque, um ano antes do seu avião Lockheed P-38 ter sido dado como desaparecido sobre o Mar Mediterrâneo, durante uma missão de reconhecimento. Mais de meio século depois, a sua fábula sobre o amor e a solidão não perdeu nenhuma da sua força, muito pelo contrário: este livro que se transformou numa das obras mais amadas e admiradas do nosso tempo, é, na verdade, de alcance intemporal, podendo ser inspirador para leitores de todas as idades e de todas as culturas.
O narrador da obra é um piloto com um avião avariado no deserto do Sahara, que, tenta desesperadamente, reparar os danos causados no seu aparelho. Um belo dia os seus esforços são interrompidos devido à aparição de um pequeno príncipe, que lhe pede que desenhe uma ovelha. Perante um domínio tão misterioso, o piloto não se atreveu a desobedecer e, por muito absurdo que pareça - a mais de mil milhas das próximas regiões habitadas e correndo perigo de vida - pegou num pedaço de papel e numa caneta e fez o que o principezinho tinha pedido. E assim tem início um diálogo que expande a imaginação do narrador. «O Principezinho» conta a sua viagem de planeta em planeta, cada um sendo um pequeno mundo povoado com um único adulto: um rei que não tinha ninguém para mandar fazer o que dizia; um vaidoso que estava sozinho e não tinha quem o elogiasse; um bêbado, um homem de negócios e, finalmente, um geógrafo que sabia onde ficavam os mares, os rios, as cidades, entre outras coisas e que aconselhou o menino a visitar o planeta Terra.

Uma história terna que apresenta uma exposição sentida sobre a tristeza e a solidão e que revela algumas reflexões sobre o que são os valores da vida.

Se estiveres curioso, é só leres o livro!


Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado no programa de português do 6º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula.

Teatro de fantoches | setembro

12 e 26 setembro | 10H30


Quem tudo quer, tudo perde 

Coleção provérbios de sempre


Histórias de Encantar | setembro

5 e 19 setembro | 10H30

 A girafa que comia estrelas 

José Eduardo Agualusa


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Visita do Centro de Estudos RealSaber de Lordelo e Tarde de Cinema


Em tempo de férias, a Biblioteca recebeu a visita de alguns meninos do Centro de Estudos RealSaber de Lordelo.
Depois de uma breve explicação da função de uma biblioteca e das normas básicas de funcionamento, escutaram, atentamente, a leitura do conto UNGALI, de Elsa Serra e percorreram as estantes, escolhendo os títulos que despertaram mais interesse e lendo-os ou, simplesmente, folheando-os com curiosidade.



No momento da despedida, um pedido: voltar para uma sessão de cinema.
Logo, ali, ficou a promessa de que o pedido seria atendido e, assim, na passada 4ªf, 31 de julho, o auditório da Fundação animou-se com a alegria de cerca de 100 crianças, acompanhadas por alguns adultos, que assistiram à projeção do filme "Força Ralph", em sessão aberta ao público infanto-juvenil.
Não faltaram as pipocas e, à saída, a oferta de uma t-shirt a cada participante, uma agradável surpresa nesta divertida tarde de férias.



Cada mês com seus provérbios

PROVÉRBIOS DE AGOSTO


“Luar de Janeiro não tem parceiro; mas lá vem o de Agosto que lhe dá no rosto.”

“Em Agosto, palhas ao palheiro, meninas ao candeeiro.”

“Quem em Março come sardinha, em Agosto lhe pica a espinha.”

“Nem em Agosto caminhar, nem em Dezembro marear.”

“Em Agosto sê cuidadoso e não largues o preguiçoso.”

“Sê em Agosto cuidadoso e aguilhoa o preguiçoso.”

“Quando chove em Agosto, não metas teu dinheiro em mosto.”

“Terra lavrada em Agosto, à estercada dá o rosto.”

“Primeiro de Agosto, primeiro de Inverno.”

“Quem em Agosto ara, riquezas prepara.”

“Em Agosto, toda a fruta tem seu gosto.”

“Bom é o ano quando em Agosto sobre a castanha se chupa o mosto.”

“Agosto, frio no rosto, malha com gosto.”

“Agosto amadurece, Setembro vindimece.”

“Em Agosto, sardinhas e mosto.”

“Névoas de Agosto, nem bom nabo, nem bom magusto.”

“Trovoadas em Agosto, melhora o mosto.”

“Quem não debulha em Agosto, debulha com mau gosto.”

“Agosto tem a culpa, e Setembro leva a fruta.”

“Em Agosto, antes vinagre do que mosto.”

“Em Agosto, nem vinho nem mosto.”

“Em Fevereiro, chuva; em Agosto, uva.”

“Não é bom o mosto colhido em Agosto.”

“O mês de Agosto será gaiteiro, se for bonito o 1º de Janeiro.”

“Por Santa Maria de Agosto repasta a vaca um pouco.”

 “Se queres ver o teu marido morto, dá-lhe couves em Agosto.”

Um poema...

Naturalidade

Europeu, me dizem. Eivam-me de literatura e doutrina
europeias e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem raiz a raiz de algum
pensamento europeu. É provável... Não. É certo,
mas africano sou. Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto. Trago no sangue uma amplidão de coordenadas geográficas e mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.
Chamais-me europeu? Pronto, calo-me. Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.
Rui Knopfli


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O Leituras sugere...

...para agosto




Gosto de ti. R.
Graça Gonçalves
«Foi logo a seguir ao intervalo de uma aula. Entrei na sala e, ainda mal me tinha sentado na carteira, encontrei um pequeno bilhete dobrado, meio escondido debaixo de um livro. Desdobrei-o e…”Gosto de ti. R.” Mal li estas palavras, desatei a corar, a corar… Quem seria? Rui, Raul, Rodrigo, Rafael, Ricardo…“Gosto de ti. R.” Quanto mais olhava para o bilhetinho, mais a minha curiosidade pulava... Que encantamento eu sentia pelo verbo gostar! Gosto…Gosto de…Gosto de…ti.»
A seguir a Gosto de ti, o enigmático R… «Sete bilhetinhos e todos com o verbo gostar! Que palavra mais misteriosa! Quantos segredos ela tinha bem escondidos!… Dela, tanto podia sair o Carinho, como os... bilhetinhos. Já sem falar naquele olhar que não parava de dizer: “bem-me-quer, bem-me-quer”…»

Adriana, filha de pais separados, recebe bilhetes de um admirador secreto.
Um dia, magoou o pé e teve de ir ao hospital onde conheceu uma médica de quem gostou muito e que a aconselhou a frequentar um Centro jovem.
Adriana acabou por convidar dois amigos, a Luísa e o Miguel, para irem com ela.
Adriana e Miguel iam todos os sábados para o Centro, onde acabou por descobrir que o seu admirador secreto era ...
A intriga desta história envolve-nos e surpreende-nos desde o início. Afinal, quem não gosta de ouvir «Gosto de ti!», independentemente da idade?

Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura
A partir dos 10 anos

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Cada mês com seus provérbios | julho

Em Julho abafadiço, fica a abelha no cortiço.
Em Julho ceifo o trigo e debulho e, em o vento soprando, o vou limpando.
Em Julho, eu o ceifo e o debulho.
Em Julho faz vasculho.
Em Julho, foice na mão.
Julho, debulhar; Agosto, engravelar.
Em Julho nunca a água do rio fez barulho.
Em Julho reina o gorgulho.
Em Julho, tudo farás, só o teu verde não ceifarás.
Em Junho, Julho e Agosto, senhora não sou vosso.
O mês de Julho dá o pão e o gorgulho
Julho quente, seco e ventoso, trabalha sem repouso.
Por todo o mês de Julho o celeiro atulho.
Quem trabalho em Julho para si trabalha.
Água de Julho, no rio não faz barulho.
Deus ajudando vai em Julho mereando.
Não há maior amigo do que Julho com seu trigo.
Nevoeiro de S. Pedro, põe em Julho o vinho a medo.
Quem em Julho ara e fia, Ouro cria.
Dezembro com Julho ao desafio traz Janeiro frio.
Luar de Janeiro, sol de Julho.
Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar.
Quando Julho está a começar, as cegonhas começam a voar.