segunda-feira, 4 de março de 2013

Cada mês com seus provérbios | março


Em Março, cada dia chove um pedaço.
Em Março, tanto durmo como faço.
Entre Março e Abril o cuco há-de vir. Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.
Janeiro geoso, Fevereiro nevado, Março frio e ventoso, Abril chuvoso e Maio pardo, fazem o ano abundoso.
Lua cheia em Março trovejada, trinta dias é molhada.
Março chove cada dia o seu pedaço.
Março, marçagão, manhã de Inverno, tarde de rainha, noite corta que nem foicinha.
Março pardo e venturoso traz o ano formoso.
Vento de Março e chuva de Abril, vinho a florir.
Vinho que nasce em Maio, é para o gaio; se nasce em Abril, vai ao funil; se nasce em Março, fica no regaço.
O enxame de Março mete-o regaço.
Páscoa em Março, ou fome ou mortaço.
Poda em Março, vindima no regaço.
Podar em Março é ser madraço.
Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz.
Quando Março sai ventoso, sai Abril chuvoso.
Quem não poda em Março, vindima no regaço.

Escritor do mês | março

O Leituras sugere...






...para março




Poesias de Amor e Versos com Sabor



Neste livro em que o título faz rimar amor com sabor, as emoções rimam com cores, aromas e sabores numa aventura em verso que nos fala do amor, do coração, mas também do chocolate, de uma marina, de uma janela de um quarto, de um cão e em que a autora e os leitores partilham a mesma idade, a mesma espontaneidade e, talvez, o mesmo amor pela leitura. Com doze anos apenas, Laura Mirpuri publica o seu primeiro livro de poesia onde o som e o sentido das palavras, associados a uma belíssima ilustração de Rita Antunes, se revelam necessariamente indissociáveis num divertimento para os cinco sentidos.

A não perder, na nossa Biblioteca.
A partir dos 8 anos

Teatro de Fantoches | março

Dias 14 e 28 | 10h30
Quem tudo quer, tudo perde
coleção Provérbios de sempre


Histórias de Encantar | março

Dias 7 e 21 | 10h30
A história da árvore Elvira de Sofia Patrício Dias



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


DIA de S.VALENTIM

Para comemorar este Dia de S. Valentim escolhemos uma das Cartas de Amor de Fernando Pessoa dirigida a Ofélia Queiroz, durante a relação amorosa que mantiveram.

 [Carta a Ophélia Queiroz - 5 Abr. 1920]
Meu Bebé pequeno e rabino:
Cá estou em casa, sozinho, salvo o intelectual que está pondo o papel nas paredes (pudera! havia de ser no tecto ou no chão!); e esse não conta. E, conforme prometi, vou escrever ao meu Bebezinho para lhe dizer, pelo menos, que ela é muito má, excepto numa coisa, que é na arte de fingir, em que vejo que é mestra.
Sabes? Estou-te escrevendo mas não estou pensando em ti. Estou pensando nas saudades que tenho do meu tempo da caça aos pombos; e isto é uma coisa, como tu sabes, com que tu não tens nada...
Foi agradável hoje o nosso passeio — não foi? Tu estavas bem disposta, e eu estava bem disposto, e o dia estava bem disposto também (O meu amigo, não. A. A. Crosse: está de saúde — uma libra de saúde por enquanto, o bastante para não estar constipado).
Não te admires de a minha letra ser um pouco esquisita. Há para isso duas razões. A primeira é a de este papel (o único acessível agora) ser muito corredio, e a pena passar por ele muito depressa; a segunda é a de eu ter descoberto aqui em casa um vinho do Porto esplêndido, de que abri uma garrafa, de que já bebi metade. A terceira razão é haver só duas razões, e portanto não haver terceira razão nenhuma. (Álvaro de Campos, engenheiro).
Quando nos poderemos nós encontrar a sós em qualquer parte, meu amor? Sinto a boca estranha, sabes, por não ter beijinhos há tanto tempo... Meu Bebé para sentar ao colo! Meu Bebé para dar dentadas! Meu Bebé para...
(e depois o Bebé é mau e bate-me...) «Corpinho de tentação» te chamei eu; e assim continuarás sendo, mas longe de mim.
Bebé, vem cá; vem para o pé do Nininho; vem para os braços do Nininho; põe a tua boquinha contra a boca do Nininho... Vem... Estou tão só, tão só de beijinhos...
Quem me dera ter a certeza de tu teres saudades de mim a valer. Ao menos isso era uma consolação... Mas tu, se calhar, pensas menos em mim que no rapaz do gargarejo, e no D. A. F. e no guarda-livros da C. D. & C.! Má, má, má, má, má...!!!!!
Açoites é que tu precisas.
Adeus; vou-me deitar dentro de um balde de cabeça para baixo para descansar o espírito. Assim fazem todos os grandes homens — pelo menos quando têm — 1º espírito, 2º cabeça, 3º balde onde meter a cabeça.
Um beijo só durando todo o tempo que ainda o mundo tem que durar, do teu, sempre e muito teu
Fernando (Nininho).
5.4.1920
Cartas de Amor. Fernando Pessoa. (Organização, posfácio e notas de David Mourão Ferreira. Preâmbulo e estabelecimento do texto de Maria da Graça Queiroz.) Lisboa: Ática, 1978 (3ª ed. 1994).- 13.


Curiosamente, em 1935, o heterónimo Álvaro de Campos viria a escrever o poema "Todas as Cartas de Amor São Ridículas", quando Fernando Pessoa já não namorava Ofélia Queiroz.
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos, 21-10-1935

Ler mais:
Cartas de Amor de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 368
Editor: Assírio & Alvim

 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

"Dia Mundial da Rádio"





Comemora-se hoje, pela segunda vez, o Dia Mundial da Rádio. Trata-se de uma iniciativa promovida pela UNESCO que escolheu o dia 13 de fevereiro, que corresponde ao nascimento da United Nations Radio, em 1946, que emitiu, pela primeira vez, para um grupo de seis países.
No tempo dos nossos avós não havia televisão nem internet e as notícias chegavam via rádio. A ideia da criação de um dia mundial da rádio estava "no ar" há mais de uma década, mas só ganhou forma a partir de uma proposta formal apresentada por Espanha no final de 2011.
Neste dia, sugerimos o visionamento do filme Os dias da rádio de Woody Allen:

Como aperitivo, deixamos aqui este "clip":




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Cada mês com seus provérbios | fevereiro

Água de Fevereiro, mata o Onzeneiro.
Ao Fevereiro e ao rapaz, perdoa tudo quanto faz.
Aproveite Fevereiro quem folgou
em Janeiro.
Em Fevereiro
, chega-te ao lameiro.
Em Fevereiro, chuva; em Agosto, uva.
Fevereiro é dia, e logo é Santa Luzia.
Fevereiro enxuto, rói mais pão do que quantos ratos há no mundo.
Fevereiro quente, traz o diabo no ventre.
Fevereiro recouveiro, afaz a perdiz ao poleiro.
Janeiro geoso e Fevereiro chuvoso fazem o ano formoso.
Neve em Fevereiro, presságio de mau celeiro.
O tempo em Fevereiro enganou a Mãe ao soalheiro.
Para parte de Fevereiro guarda lenha de Quinteiro.
Quando não chove em Fevereiro, nem prados nem centeio.
Tantos dias de geada terá Maio, quantos de nevoeiro teve Fevereiro.
Em Fevereiro põe o teu fumeiro.
Aveia de Fevereiro enche o celeiro.
Em Fevereiro neve e frio; é de esperar calor no estio.
Em Fevereiro mata o teu carneiro.
Em Fevereiro põe a mãe ao soalheiro e manda-lhe um saraivem
Fevereiro trocou dois dias por uma tigela de papas.
Fevereiro coxo, em seus dias vinte e oito.
Fevereiro é o mais curto mês e o menos cortês.
Aí vem o meu irmão Março  que fará o que eu não faço.
Bons dias em Janeiro enganam o homem em Fevereiro
Lá vem Fevereiro, que leva a orelha e o carneiro.
Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado, nem bom palheiro.
Quer no começo, quer no fundo, em Fevereiro vem o Entrudo.
Se o Inverno não faz o seu dever em Janeiro, faz em Fevereiro.